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sexta-feira, 5 de junho de 2020
Eu produzo, eu conservo: adubo extra para produção
Revista FAEMG|SENAR - Ed. 41 - Abril/Maio 2019

Sistema agroflorestal garante equilíbrio de matéria orgânica para o solo e ajuda no aumento da colheita

 

É uma lavoura ou uma floresta? No Sítio das Mangueiras, em Florestal, o engenheiro agrônomo Lucas Machado, formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), decidiu investir na produção agrícola com preservação do meio ambiente. Desta forma, o solo está ficando cada dia mais rico. Como consequência, sua horta é cada vez mais produtiva.

“Eu copio os processos naturais.” Lucas conta que o sítio de cinco hectares era voltado à pecuária. Ele começou o trabalho no local há três anos. Boa parte do terreno era de pastagens degradadas. Primeiro, ele resolveu plantar legumes, folhosas, raízes e tubérculos, além de algumas árvores frutíferas, sem a retirada total da vegetação nativa. Em um hectare, colhia 150 itens por semana.

O solo, antes pobre, ácido, compactado e seco, não tinha matéria orgânica. Com a introdução do sistema, gradativamente, este perfil foi sendo alterado. Hoje, o solo é úmido, escuro e muito rico em matéria orgânica. Resultado: a colheita do sítio chega a 800 produtos por semana. A expectativa é que três hectares sejam ocupados com o sistema agroflorestal. Um hectare é de reserva legal e APP.

Lucas vende tudo o que produz em feiras livres de Florestal e para produtores de cestas de hortaliças e de outros itens agroecológicos de Belo Horizonte.

ECONOMIA

Com o solo mais equilibrado e produtivo, as hortaliças precisam de menos água. Enquanto em sistemas convencionais pode ser necessária a irrigação até três vezes em um dia; no Sítio das Mangueiras, ela é feita duas ou três vezes por semana. “A economia de água chega a 80%”, diz Lucas.

Principais produtos colhidos: alface, rúcula, almeirão, batata-doce e inhame.

Boa influência

Com a implantação do sistema agroflorestal no sítio, Lucas começou a inspirar outros produtores rurais da região. Juntos, eles criaram a Associação Florestalense de Agroecologia (Aflora), que hoje tem 16 associados. Para multiplicar os conhecimentos, o engenheiro agrônomo também promove cursos no sítio, com visitas guiadas às lavouras. Outras informações podem ser obtidas no www.sitiodasmangueiras.com.br.

 

Entre as árvores

Passo a passo do sistema agroflorestal desenvolvido no Sítio das Mangueiras:

  • 1-    Cobertura e proteção do solo
  • 2-     Fornecimento de matéria orgânica
  • 3-     Início de plantios para consórcio entre as plantas
  • 4-     Aumento da diversidade de plantas no sistema
  • 5-     Inclusão de árvores nas áreas produtivas
  • 6-    Manejo do sistema, por meio da poda e produção de biomassa

 

EM EXPANSÃO

Dados preliminares do Censo Agropecuário de 2017 apontam aumento de 60,6% desse tipo de sistema de produção consorciado, em relação ao mesmo levantamento de 2006 – primeiro já feito no país. O número de estabelecimentos agropecuários passou de 305.826 para 491.400.

 

“O produtor rural dispõe de técnicas com base na agroecologia que permitem conciliar a obtenção de índices de produtividade competitivos e promover a saúde do solo e dos cultivos. Ele consegue melhorar resultados a partir da nutrição mineral adequada, solos permeáveis e com cobertura constante, diversificação de cultivos, plantas de cobertura e adubos verdes, e a incorporação de microrganismos benéficos.”

“Com o solo mais equilibrado, a capacidade de retenção de água é maior, assim como a dinâmica biológica e a troca de nutrientes para as plantas, evitando o uso de agrotóxicos e diminuindo custos de produção.”

José Mário Lobo Ferreira, pesquisador em Agroecologia da Epamig

 

HARMONIA

Sistemas Agroflorestais (SAFs) usam práticas milenares. São definidos a partir do uso do solo que envolve a retenção ou introdução de árvores, palmeiras, bambus, entre outras, nas áreas de produção agropecuária, visando aos benefícios das interações ecológicas e econômicas. Segundo José Mário, Minas Gerais tem diversas experiências com o sistema:

·         Na Região Metropolitana de BH

·         No trabalho do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA), em parceria com sindicatos e a Universidade Federal de Viçosa (Zona da Mata)

·         Em ações da Universidade Federal de Lavras

·         No trabalho do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (alto Vale do Jequitinhonha)

 

(Matéria publicada originalmente na Revista FAEMG|SENAR - Ed. 41 - Abril/Maio 2019 - clique aqui para baixar)

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