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sexta-feira, 5 de junho de 2020
Eu produzo, eu conservo: harmonia e qualidade de vida
Revista FAEMG|SENAR - Ed. 45 - Janeiro/Fevereiro/Março 2020

Mãe e filho se unem para viabilizar uma fazenda sustentável no Sul de Minas

 

No final da década de 1980, Lillian da Cunha Salgado era uma empresária de sucesso em Resende (RJ). Dona de uma livraria, uma papelaria e um curso de  idiomas. Trabalhava tanto que adoeceu gravemente. Optou pelo tratamento  com medicamentos fitoterápicos e, depois de alguns meses, já curada, tomou uma decisão: vender tudo e ir para o campo.

Lillian mentalizou uma terra com uma mata em volta da casa e muita água. Na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, na divisa com o estado do Rio, encontrou o que sonhava: 90 hectares, a maior parte de mata nativa, cortados por um trecho de um quilômetro do Rio Grande. Não teve dúvida. Comprou na hora e deu-lhe o nome de “Fazenda Harmonia”.

“Aqui não tinha água canalizada nem energia elétrica. Só um casebre, um curral e um paiol. Passei dois anos estudando o que eu precisava fazer para ter uma propriedade ambientalmente sustentável.”

 

Parceria

A ex-empresária contou com o filho Nilo, que compartilhava a mesma filosofia e havia acabado de se formar em Zooctenia pela Universidade de Lavras (UFLA). “Identifiquei-me com o caminho escolhido por ela porque esse é o papel do zootecnista: conciliar produção animal e conservação de recursos naturais.”

Nilo mudou-se para a fazenda em 2000, depois de concluir o mestrado, e ajudou Lillian a estruturar a minhocultura e uma plantação de ervas medicinais. Anos depois, investiram na criação de vacas de leite, utilizando apenas 15% da terra, e mantendo o restante para regeneração natural da vegetação. “Depois que comecei a participar do programa Balde Cheio, do Sistema FAEMG, entendi que é possível intensificar a produção, sem desmatar. De lá pra cá, a cobertura florestal só aumentou. A mata ciliar, que deveria ter 30 metros, tem 300”, diz Nilo.

 

Pagamento por Serviços Ambientais

Mãe e filho nunca haviam pensado em receber subsídios do governo para preservar a natureza. Mas, quando surgiu essa possibilidade, foi bem-vinda. Do Promata, Projeto de Proteção da Mata Atlântica do Governo de Minas, em parceria com o banco alemão KFW, receberam R$ 140 por hectare preservado, mais dois quilômetros de cercas, bebedouro, mourão e arames, totalizando R$ 10.200. “Já no programa Bolsa Verde cadastramos 42 hectares de mata preservada, recebendo R$ 200 por hectare/ano, totalizando R$ 42.500.”

 

“Não me arrependi nenhum minuto da decisão de deixar a cidade e vir para o campo. Voltei a ter a sensação de felicidade e bem-estar que só experimentei quando era criança.”

Lilian da Cunha Salgado, produtora rural

 

“Falta entendimento do que, de fato, pede a legislação ambiental. É preciso simplificar a linguagem, abolir os termos jurídicos, tornando-a mais simples para o produtor rural.”

“Não é possível só explorar a propriedade, só tirar sem oferecer ganhos ambientais, seja sombra para os animais ou corredores ecológicos para o trânsito da fauna.”

“O produtor cria uma aversão às leis porque a Polícia Ambiental chega sempre numa postura de fiscalização. Não existe a visita educacional, o meio termo, o jogo de cintura. Perde-se a chance do diálogo, do entendimento.”

Nilo Salgado Jardim, zootecnista e produtor rural

 

“A propriedade da Lillian é um bom exemplo. O fato de ela ter uma boa renda e o apoio técnico do filho facilitaram a viabilização do projeto de sustentabilidade. A lição aprendida foi a da necessidade de diversificação. O desafio para o produtor rural é cumprir um gigantesco rol de obrigações, muito mais do que exercer a sustentabilidade na prática.”

Ana Paula Mello, coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente do Sistema FAEMG

 

Raio X da Fazenda Harmonia

Área Total: 90 hectares

Área Preservada: 75ha

Lixo: Separados o orgânico e o reciclável

Vegetação: araucária, jerivá, angico, pessegueiro-bravo, candeia, cedro, pau-de-vinho e jacarandá

Fauna silvestre: suçuarana, jaguatirica, jaguarundi, maracajá, gato-do-mato, sauá, sagui, irara, tucanos, trinca-ferro, bigodinho, coleirinho e canário-da-terra

 

(Matéria publicada originalmente na Revista FAEMG|SENAR - Ed. 45 - Janeiro/Fevereiro/Março 2020 - clique aqui para baixar)

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