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quinta-feira, 27 de agosto de 2020
Turismo, gastronomia e cooperativismo na cadeia do leite

 

O segundo dia do IV Seminário dos Queijos Artesanais de Minas foi marcado pela discussão sobre as perspectivas para o produto no pós-pandemia e o cooperativismo como estratégia para agregar valor à cadeia do leite. A mesa redonda e o painel da noite desta quarta-feira (26) foram moderados pela coordenadora da Assessoria Técnica do Sistema FAEMG, Aline Veloso.

EXPERIÊNCIA TURÍSTICA E GASTRONÔMICA

No mundo pós-pandemia, o agroturismo será uma das alternativas que prometem aquecer os negócios no meio rural. Análise em comum feita pelas palestrantes, Mariana Resende, produtora de queijo da região Campo das Vertentes, e Maria Cândida Marramaque, diretora da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios de Portugal (Anil). Juntas, elas conduziram a mesa redonda “Perspectivas para o Queijo Artesanal no pós-pandemia”.

Mariana Resende (Produtora de queijo na região Campo das Vertentes) – O agroturismo como renda para as fazendas

O queijo artesanal é um produto que serve como experiência turística e gastronômica nas regiões produtoras.

O turismo bate na porta da fazenda, pois as pessoas, atualmente, são mais engajadas e querem conhecer a rotina no campo. Sendo assim, ele é o meio pelo qual os produtores rurais conseguem manter os filhos trabalhando no meio rural.

Uma pesquisa sobre o turismo pós-pandemia mostra que 60% das pessoas afirmam que não vão voltar fazer viagens internacionais até que se tenha total controle da pandemia ou exista uma vacina. Por isso, a tendência do turismo é a interrupção das viagens mais longas e a escolha por roteiros mais próximos e regionais. Diante destes dados, o Ministério do Turismo pretende incentivar as viagens domésticas, dentro do Brasil.

Nesse turismo chamado de bate-volta, vislumbramos a oportunidade de renda extra para as fazendas, tais como, a possibilidade de serviços de hospedagens oferecidos por pequenos produtores.

Muitos estudos apontam que o principal destino das pessoas será o turismo de natureza, o turismo rural, de isolamento: ambientes pequenos, abertos e arejados. A ideia é manter o isolamento, mas mudar de ambiente, de forma que a pessoa ainda se sinta segura. As nossas fazendas serão de grande interesse de visitação para essas pessoas.

A busca por destinos sustentáveis continuará a crescer. O turista quer saber de que maneira os produtos são feitos, como os funcionários de uma empresa são tratados, se realmente aquele gado é criado a pasto. Há o interesse pela origem do produto e essa cobrança será cada vez mais feita do ponto de vista social.

Organização para receber turistas

  • Com agendamento de dias e horários de visitação na fazenda e a definição se haverá visita guiada e de que forma ela será feita.

  • O queijo é um produto e o turismo é outro produto. Mas, eles agregam valor entre si.

  • Busque parcerias. Associe-se ao seu vizinho, vá atrás das agências dos receptivos, dos hotéis, de forma a gerar demanda turística para aquele lugar.

  • Simplicidade vende. É o que as pessoas pensam quando procuram o turismo rural: quem é a família que está envolvida nesse processo, qual é o gado. Isso gera interesse na visita às propriedades.

Precificação

  • Queijo e visitação são produtos diferentes. Para os dois, existe preço e valor.

  • Entre os serviços que podem ser oferecidos por uma fazenda estão a visitação simples, a venda de produtos, além de visitas guiadas, hospedagens, cursos, degustação e experiências como tirar leite de vaca.

  • Inove sempre! Tem uma fazenda no Rio Grande do Sul propondo visita virtual à propriedade. É importante repensar a forma como esse tipo de serviço é prestado, pois as coisas estão mudando e é preciso mudar junto.

  • O primeiro público que vai voltar a viajar é composto por pessoas que têm mais condição financeira, pois são não perderam seus empregos e tiveram saúde financeira para não perder seus negócios. Vão investir no turismo regional.

Maria Cândida Marramaque (Diretora da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios – ANIL – de Portugal) – As perspectivas pós-pandemia em Portugal

Durante a pandemia, o turismo parou por completo, ficamos de portas fechadas para todos, desde 23 de março. Não se via gente na rua, os aviões deixaram de circular e o comércio também parou.

O consumidor mudou a cesta de compras e optou por alimentos básicos e de maior longevidade, concentrando as compras nos canais eletrônicos.

Para nós, a Páscoa e o Natal são momentos muito importantes para a venda dos queijos tradicionais. Por isso, os produtores ficaram com os produtos dentro de casa. Foi o grande problema em relação aos queijos tradicionais.

Somos muito pequenos comparados a Minas Gerais. Portugal não é autossuficiente em produção de queijo. Ainda recorremos a importações, por isso focamos nos queijos tradicionais.

O turismo em espaço rural existe há 35 anos e se divide, basicamente, em dois: a visitação ao espaço rural e a visitação às casas antigas de família que passaram a receber turistas.

Temos 1.700 unidades de turismo no espaço rural, sendo 277 de espaços destinados ao agroturismo. Destes, temos um número pequeno de queijarias ligadas ao agroturismo.

Foco no interior

Apesar de Portugal ter 800 quilômetros de praia, os turistas portugueses, após o período crítico da pandemia, optaram por se dirigir ao interior, para estar perto da natureza e da história do país.

Os festivais de queijo foram cancelados e são importantíssimos para divulgação dos queijos locais. Por isso, é muito importante nessa fase, reativar o agroturismo com estadias e trazer a experiência dos nossos turistas junto à produção do queijo, tal como já existe na área do vinho.

O agroturismo permite a manutenção de uma paisagem para preservação ambiental, para manutenção de comunidades rurais e produção de alimentos que se distinguem dos industrializados. Ele pode e deve contribuir para diversificar o setor alimentar e o turismo.

O que liga o turista ao agroturismo é a experiência. Nós, em Portugal, também já criamos as visitas virtuais. Temos o exemplo de uma queijaria que trabalha com leite cru e que permite que o turista faça o seu próprio queijo, que depois de maturado, é enviado para o cliente pelo correio.

Produtores que não conseguiram entregar, presencialmente, seus produtos, desenvolveram plataformas.


Airton Spies (Dr. em Economia dos Recursos Naturais) – Cooperativismo como estratégia

Mostrar como o cooperativismo é uma estratégia para agregar, apropriar e compartilhar valor na cadeia do leite foi o tema do painel do palestrante Dr. Airton Spies. Após apresentar a perspectiva do cenário do mercado mundial e interno e do consumo mundial de alimentos, Spies reforçou a importância do cooperativismo e os desafios para os produtores.

Panorama

O mundo já tem 7,4 bilhões de habitantes e deve chegar a 9,6 bilhões em 2050, 30% a mais de bocas para alimentar. Mas o consumo de alimentos, projetado pela FAO, é de um crescimento de 55%. A alimentação tem uma elasticidade de renda muito forte. À medida em que as pessoas aumentam a sua renda, o incremento vai ser prioritariamente gasto com comida e comida de maior valor. O grande desejo é o consumo de proteínas animais, onde o leite está incluído. Estamos diante de três ondas de demanda de consumo: a China, Índia e a África.

O consumo de lácteos vem crescendo sistematicamente per capita. Em 2010, era de 106 litros por habitante/ano. Já em 2018, 117 litros. Então há o aumento per capita, além do incremento da população, à medida que a renda dos países mais populosos vai crescendo.

No Brasil, temos as condições naturais adequadas, mas ainda não temos a organização da produção de lácteos competitiva, como já temos em outras cadeias, como as de suíno e frango.

Temos que ter uma preocupação grande com o bem-estar animal, senão as portas do mercado vão se fechar, e nossos alimentos têm que ser garantidos em termos de segurança alimentar.

Importância

O cooperativismo não é caridade, precisa ser bem organizado. É uma estratégia para o aumento da escala e competitividade do produtor de leite, conectando-o às cadeias agroindustriais.

O importante é que queijos, por exemplo, cheguem ao mercado. Cada um por si não tem viabilidade porque o produto vai ter muito custo para chegar ao consumidor e aí entra o cooperativismo. É uma excelente forma de agregar valor aos produtores de leite e formar riquezas na agricultura familiar. Onde tem cooperativismo forte, tem IDH maior.

Pelo cooperativismo, o produtor pode ser dono do valor e do resultado industrial do leite. Por isso, na Nova Zelândia, a maioria do leite produzido passa por cooperativas, um exemplo de sucesso. O cooperativismo viabiliza a participação do produtor na economia pré e pós-porteira.

O cooperativismo tem fundamental importância para compartilhar valor. As sobras apuradas no balanço pertencem aos cooperados. Você pode trabalhar, contribuir, ser fiel à sua cooperativa, sabendo que todo o patrimônio é do cooperado. É o cooperativismo como investimento, poupança e crescimento econômico para o produtor de leite.

O cooperativismo é uma estratégia para estimular a sucessão familiar. Acabou o tempo em que se tinha agricultores por acaso. Os próximos agricultores serão por escolha.

Qual o dever de casa que temos a fazer na cadeia do leite? Melhorar a qualidade, reduzir custos, formalizar as relações entre os elos da cadeia, parcerias entre produtores e cooperativismo, melhorar a infraestrutura de logística e eliminar assimetrias tributárias. Para isso, é preciso pesquisa e assistência técnica especializada e defesa agropecuária robusta.

O cooperativismo é a estratégia certa para produzir leite de qualidade, a custo baixo e com organização logística eficiente. Da união, surgem forças que superam as crises. O cooperativismo é sinergia e transparência em torno de um objetivo comum, é unir 2 e 2 para dar 5.

O Seminário

O IV Seminário dos Queijos Artesanais de Minas, promovido de forma virtual, é uma iniciativa do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa); do Sistema FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais; e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), com patrocínio do Sistema OCEMG.

Conta com palestras de especialistas no segmento. Nas abordagens, temas como as perspectivas para o queijo artesanal mineiro durante e pós-pandemia do Covid-19, os processos regulatórios na produção, as tendências para alimentos artesanais; além de cooperativismo e mercado. O Seminário também tem o apoio do Ministério da Agricultura, da Amiqueijo, da Emater, da Epamig e do IMA.


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PROGRAMAÇÃO DE HOJE

18h - 19h20

Mesa Redonda: Consórcios e serviços de inspeção municipal

Rodrigo Heitor (serviço de inspeção em Uberlândia) – Serviços de inspeção municipal em consórcios intermunicipais

Leris Braga (prefeito Santa Bárbara) – Consórcios intermunicipais nos serviços de inspeção municipal como forma de valorização dos queijos artesanais em Minas Gerais

Moderador – Seapa

19h20 - 20h50

Mesa Redonda: Selo Arte e legislação de queijos artesanais

Rodrigo Lopes – Coordenador de produção artesanal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Mayara Pinto – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

André Duch – Fiscal Agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária

Produtor Raimundo Nonato de Santa Rita – Serro

Moderador – Seapa

20h50 - Encerramento do Seminário

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