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terça-feira, 23 de julho de 2013
Estímulo à produção de girassol em Minas
Valor
Alexandre Maciel, agricultor de Minas Gerais que há 15 anos cultiva milho e feijão no sudoeste do Estado, arrendou 70 hectares de terra para se arriscar em uma nova atividade. Assinou contrato com a Petrobras e no início do ano encheu a área de sementes de girassol. A empresa garante a compra de tudo o que ele produzir e Maciel, embora cauteloso, já faz as contas do que seus campos, hoje totalmente amarelos, poderão render. Em uma estimativa otimista, cerca de R$ 50 mil - já descontados os R$ 45 mil investidos.
 
"Se der certo, no ano que vem vou pegar toda a área que uso, 140 hectares, para plantar girassol", disse Maciel ao Valor enquanto caminhava ao lado de sua plantação na zona rural de São João Batista do Glória (MG), semana passada. É a primeira vez que ele investe na cultura. São João é um dos municípios mineiros onde o girassol avança. Nesta época do ano, as colinas de Passos, Alpinópolis, Pratápolis, Luz, Pimenta, Delfinópolis e de outras cidades no sudoeste e na região central do Estado também estão cobertas de flor.
 
Segundo as mais recentes estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área plantada com girassol em Minas saiu de 4,3 mil hectares, na safra 2011/12, para 10,8 mil em 2012/13 ano - um aumento de 151%. Ainda que a produção nacional da oleaginosa seja pequena, na última temporada o Estado só perdeu para Mato Grosso, que cultivou 49,4 mil hectares, 4,9% mais que em 2011/12.
 
Produtores de Goiás e Mato Grosso do Sul, que plantavam mais que os mineiros, reduziram suas áreas em 2012/13. A previsão da Conab é que os mineiros colham neste ano 16,2 mil toneladas de grãos de girassol, que são extraídos do miolo da flor quando ela já está seca. Na safra anterior, foram 6 mil. Mas por que em Minas Gerais cresce a empolgação com o girassol, que passou a ganhar importância - e cada vez mais adeptos - há cerca de quatro anos?
 
É verdade que a seu favor, conforme a Secretaria da Agricultura do Estado, está o fato de se tratar de uma planta resistente, que exige investimentos relativamente baixos e apresenta bom retorno financeiro, além de servir para melhorar a qualidade da terra, preparado-a para outras culturas. A "equação" é confirmada pelo produtor Altair Capato, um dos pioneiros no plantio no sudoeste mineiro, que em 2012/13 cultivou 250 hectares com girassol em Passos e vende sua produção para uma esmagadora em Pirassununga (SP).
 
Mas também é verdade que, por ter menos liquidez do que grãos mais demandados, como soja e milho, o girassol passou a contar com um importante "empurrão" da Petrobras para avançar com mais firmeza em Minas. Desde 2012, a estatal reforça uma campanha para incentivar agricultores familiares a plantar a flor. Promoveu reuniões com associações rurais, fez parcerias com revendas de insumos para a venda de sementes e pôs dois agrônomos para prestar assessoria às famílias interessadas, em uma estratégia relacionada à usina de biodiesel que mantém em Montes Claros, norte do Estado, desde 2009. As outras duas unidades de biodiesel da empresa estão na Bahia e no Ceará.
 
Nenhuma gota do combustível que sai de Montes Claros é feita a partir do girassol. Mas a Petrobras ajuda agricultores familiares comprando sua produção ao valor de 90% da cotação da soja na bolsa de Uberlândia e banca transporte e assistência técnica. No futuro, quando a escala aumentar, a empresa afirma que poderá usar a flor como matéria-prima alternativa para a fabricação de biodiesel na usina mineira. Mas, por enquanto, isso não é viável economicamente.
 
Ocorre que a estatal e outras empresas privadas que apostam em biodiesel no país têm uma vantagem prática em fomentar agricultores familiares: assegurar um selo de produtor de "biodiesel social", o que dá ao produto condições mais favoráveis na hora da venda aos distribuidores nos leilões promovidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). O percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel vendido no país é de 5%, e as empresas produtoras pressionam por um aumento desse limite.
 
Parece pouco crível que a Petrobras venha a usar nos próximos anos o girassol que subsidia aos agricultores familiares em Minas para produzir seu biodiesel. E a demanda do setor alimentício também torna mais difícil uma mudança nesse cenário. Vanya Pasa, coordenadora do laboratório de combustíveis da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), lembra que a Petrobras e outras empresas têm diversos projetos com matérias-primas alternativas para a produção do biocombustível, como dendê e macaúba. Mas em geral falta competitividade econômica mesmo para plantas que sofrem menos com a disputa da demanda da indústria alimentícia.
 
Do girassol se extrai um óleo leve, com menos impacto nos níveis de colesterol do que o óleo de soja, por exemplo. E por isso tem valor. Um litro de óleo de girassol refinado é vendido por cerca de R$ 6, ante os R$ 2,20 de um litro de biodiesel, que no Brasil é produzido sobretudo a partir da soja, o carro-chefe do agronegócio nacional.
 
Assim, a Petrobras também vende o girassol que recebe de Maciel e de outros agricultores mineiros com quem tem contratos para o mercado de óleo comestível. Os compradores têm sido esmagadoras paulistas, enquanto o biodiesel fabricado na usina de Montes Claros é produzido com óleo de soja, óleo de algodão e sebo de boi.
 
Para quem está no campo, pouco importa se sua flor amarela vai servir de mistura ao diesel vendido nos postos ou se vai para a panela. O que interessa é se alguém vai comprar sua produção. E vários agricultores de Minas se animaram a ampliar as áreas de girassol quando a Petrobras começou a comprar diretamente a produção, uma operação até então triangulada. É o caso de Adilson Tordato, de 33 anos, que ao lado do pai e dos irmãos cultiva girassol desde 2011 - sempre na "safrinha", entre fevereiro e março, no lugar de opções menos rentáveis, como sorgo ou tremoço. E ele comemora a chegada da estatal porque em 2011 mesmo levou calote de uma empresa que fazia a intermediação da compra dos grãos do girassol.
 
Estimativas reunidas pela reportagem dão conta que, em 2012, a Petrobras gastou R$ 15 milhões na aquisição direta de 12 mil toneladas de grãos - de girassol, soja e mamona - dos agricultores familiares mineiros. Assistência técnica, transporte e aluguel de silos teriam consumido outros cerca de R$ 5 milhões.
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