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ATeG Café vai abrir oportunidades a pequenos e médios produtores

ATEG CAFÉ + FORTE
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
24/11/2023 . SISTEMA FAEMG, SENAR, FAEMG

 

Produtores de café vão aliar conhecimentos práticos com novas técnicas

O Norte de Minas Gerais é conhecido pela qualidade produtiva em diversas cadeias, como na fruticultura, apicultura, produção de derivados de leite e bovinocultura, por exemplo. Agora, por meio do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), mais uma vertente agrícola começa a ganhar força regional: a cafeicultura. Junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha, pequenos e médios produtores de café começaram a ser capacitados e orientados para a evolução dos seus negócios. Essa é a primeira turma que recebe a assistência técnica dedicada ao café na região.

Ataíde Aparecido Martins Mendes, da cidade de Serranópolis de Minas, é um dos contemplados. Já são mais de 15 anos atuando com plantio de café, desde os tempos em que ele ia para o Sul de Minas trabalhar na colheita do fruto. Por lá, ele tomou gosto pela cultura e trouxe para região algumas sementes. A produção ainda é pequena, dedicada à venda na própria cidade. Mas as expectativas são grandes com os novos conhecimentos chegando. 

“Praticamente começamos a dedicar certinho agora, com o ATeG, em busca de algo melhor. Com mais conhecimento espero aumentar a qualidade, a produtividade e, com isso, ampliar as vendas. É algo novo. Antigamente eu não fazia muitas contas, agora tenho tudo mais certinho, porque sem isso não vou evoluir. A cafeicultura já foi a terceira atividade aqui na propriedade. Hoje é a segunda que mais dedico e invisto. Tenho certeza que vai virar a primeira atividade, em rentabilidade e investimentos, logo”, afirma Ataíde Aparecido que produz três variedades do fruto: arara, catuai amarelo e mundo novo. 

A colheita atual do produtor, que mantém outras culturas na propriedade, como plantio de abóbora e feijão é, em média, de 250 sacas de café por ano. O perfil de trabalho de Ataíde Aparecido é bem próximo aos demais produtores que estão no grupo de ATeG. A região, que apesar de estar no Norte do estado, apresenta boa altitude e recursos hídricos, têm o histórico de produção de café nas pequenas e médias propriedades. A proposta é ajudar os produtores a enxergarem ainda mais o potencial produtivo, como explica a técnica de campo Jaciara Soares Freitas.

Técnica de campo durante visita em propriedades do ATeG no Norte de Minas

“O diagnóstico geral do grupo é de produtores que ainda não têm o conhecimento e uso de técnicas eficientes para a cultura do café. Muitos fazem o manejo somente se espelhando na lavoura do vizinho, sem orientação específica e apropriada para o manejo da cultura”, pontua a técnica de campo.

Projeções positivas  

O programa ainda está nos primeiros meses de ação, envolvendo produtores de cidades vizinhas a Porteirinha. A expectativa é que a tradição da região somada às novas técnicas de trabalho ofereça aos produtores condições ideais para a evolução produtiva. 

“É uma cultura pouco comum na região, mas que tem dado muito certo nessas áreas onde estamos levando o ATeG. Os produtores estão muito animados, porque eles já plantavam como tradição, mas ninguém apoiava de fato. A chegada do ATeG caiu como uma luva para eles, era o que faltava para alavancar o trabalho nesta região. Estamos investindo em capacitação para um público que tem a demanda, dando melhores condições de trabalho e fortalecendo estes produtores. Essas duas coisas precisam sempre andar juntas no semiárido”, opina o presidente do Sindicato de Porteirinha, Elton Mendes. 

Entre as primeiras recomendações técnicas neste início de trabalho está a análise de solo, que vai identificar qual a adubação requerida pela cultura em cada propriedade. O objetivo é manter uma produção constante e sadia. Exatamente o que faltou para o produtor Gerson Batista, de Rio Pardo de Minas, conseguir evoluir nas duas tentativas, em 2008 e 2018, com o plantio do café. “A gente vê a atividade de outros produtores maiores da região e entende a importância da parte técnica na propriedade. Agora é uma oportunidade de crescimento para todos nós”, destaca.

São cerca de sete mil pés de café na propriedade, produzindo na sua maior parte o tipo arara. O produtor já tem parceria estabelecida na cidade para moer, fazer a torra e ensacar o café. Apesar de querer seguir consorciando outras atividades produtivas, a expectativa é ampliar a atuação na cafeicultura. “A cultura do café sempre esteve presente, mesmo atuando com outras atividades, porque é possível consorciar. Já cheguei a tirar, anos atrás, 56 sacas de café, mas não foi possível manter. Com o ATeG espero voltar a produzir mais, fazendo manejo correto, adubação do solo, preparando melhorar a propriedade. É investir com técnica, sabendo fazer, para gerar mais lucro. Já tenho uma nova área de plantio que iniciei após a chegada da técnica de campo”, sinaliza o produtor.

Para o gerente regional do Sistema Faemg Senar, Dirceu Martins, a chegada do ATeG Café é muito importante, já que a cultura do fruto tem crescido no Norte de Minas. “Temos cafeicultores na Serra do Cabral, na região de Pirapora e Buritizeiro, mas como grandes produtores, em grandes áreas plantadas. Com o ATeG estamos chegando especialmente no pequeno e médio produtor rural, mostrando potencial também de região chamada de Alto Rio Pardo. Com a assistência técnica presente temos certeza de que a cultura irá crescer muito na região e de forma correta, do ponto de vista técnico e também gerencial”, finaliza.