A pandemia de covid-19 modificou muitos hábitos, inclusive de trabalho, nos últimos dois anos. Entre adaptações e novas possibilidades, a visão empreendedora dos irmãos Éder Patrick Soares e Christian Soares fez da pequena produção rural da família, em um sítio em Coração de Jesus, a oportunidade de iniciar um novo negócio. Eles investiram na venda de produtos caseiros e artesanais, com foco no sistema delivery.
“Meu irmão já produzia coisas no sítio e eu vendia. Começamos mexendo com frango. Com a pandemia, fui para a roça e vi nisso uma oportunidade. Passei a trazer mais produtos para vender, tirava foto e postava nas redes sociais, pelo Facebook e WhatsApp, e fazia a entrega uma vez por semana”, lembrou Patrick.

E toda essa história começou com investimento pequeno e novos conhecimentos na bagagem, por meio de cursos do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos. Patrick fez treinamentos e capacitações para produção de polpas de frutas, defumados, produção de derivados de leite, entre outros.
“Começamos com R$300, usando uma parte da casa, debaixo da escada, para tirar as fotos. Com a aceitação das pessoas, que passaram a buscar mais este tipo de produto e serviço de entrega, expandimos. Passamos a produzir mel, polpas de frutas, queijo e linguiça caseira. Na época, eu busquei os cursos do SENAR para não ficar parado no sítio. E os cursos ensinaram não só a produzir, mas também a parte de administração, custos e mão de obra”, destacou o empreendedor.
Além dos cursos, eles fizeram adequações no sítio Três Irmãos. O local já pertencia à família, mas somente como opção de lazer. Hoje, abriga galpão e estrutura para as diversas atividades produtivas, executadas com foco na qualidade.

Em crescimento
Para cair no gosto, literalmente, dos clientes, Patrick fez alguns experimentos e tentativas. Hoje, a maior parte dos lucros vem das linguiças caseiras, polpas de frutas e dos queijos. “No curso de defumados, o instrutor agregou muitos conhecimentos novos, conseguimos ir ajustando o ponto ideal do sabor, do tempero, para agradar o público. Hoje, vendemos linguiça de frango e com bacon, com um bom valor agregado, e não faltam pedidos”, explicou Patrick.
Patrick e Christian Soares têm na venda dos produtos caseiros a principal fonte de renda. Com pouco mais de um ano e meio na atividade, os irmãos abriram um ponto comercial, em Montes Claros, deixando o negócio ainda mais profissionalizado e garantindo suporte para atender às demandas. Se antes as entregas se concentravam nos fins de semana, hoje eles fazem, em média, de 20 a 30 entregas por dia. “Mantivemos 90% do que vendemos pelo sistema delivery. Nós dois ficamos até mais tarde, na madrugada, fins de semana também, ajustando tudo para garantir um bom produto final.

E os negócios não param de crescer, como explica Patrick. “Inicialmente, um primo nosso deu a oportunidade para abrirmos o ponto comercial. Reunimos o conhecimento que o SENAR passou mais a experiência de vida para tocar o negócio. Hoje, já estamos concluindo a aquisição deste ponto. A intenção é aumentar a linha da mercearia, dividir mais os tipos de produtos, mas sem perder a essência dos produtos da roça, porque foi onde conquistamos os clientes.”
Além dos produtos próprios, os irmãos também ajudam outros pequenos produtores rurais a chegarem ao consumidor final, colocando nas gondolas da mercearia uma variedade de delícias caseiras.
Para o gerente regional do Sistema FAEMG, Dirceu Martins, o sucesso dos irmãos mostra a importância da gestão e do marketing na atividade rural. “Eles tiveram uma ideia genial, de focar na comercialização via redes sociais. O negócio deu tão certo que cresceu vertiginosamente, proporcionando a diversificação dos produtos do sítio. Vemos aí o exemplo de não só produzir com qualidade e segurança, mas também com estratégias de marketing e de comercialização, o que comprova que o produtor rural precisa ser cada vez melhor da porteira pra fora também".