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ATeG auxilia em pesquisa sobre mulheres cafeicultoras

ATEG CAFÉ + FORTE
ESCRITO POR LILIAN MOURA, DE VIÇOSA
27/11/2023 . SISTEMA FAEMG, SENAR, FAEMG

Pesquisa identificou que mulheres estão mais atentas na busca à formação profissional na cafeicultura

Da esquerda para a direita, Jucimara Araújo, Alucia Souza e Viviane Cunha


“Eu não cresci no campo. Sou de Belo Horizonte e vivi por lá mais de 40 anos. Vim para Divino depois da morte do meu pai para vender a propriedade rural, mas acabei me apaixonando pelo campo e comecei a plantar café em 2018”. Quem conta essa história é Viviane Cunha, uma das três mulheres à frente do Sítio Estrela das Matas. Além dela, a mãe, Alucia Souza e a sócia, Jucimara Araújo, cuidam de tudo na propriedade.

A produção e comercialização do café especial Estrela das Matas é um dos empreendimentos do trio. O investimento na qualidade foi ideia da mãe. Aos 74 anos, Alucia quis fazer um café especial e conseguiu. O primeiro lote alcançou 85 pontos. “O café é nossa base. Nos uniu”, afirmou Viviane.

Atuantes e determinadas a crescer na atividade, elas estão sempre em busca de conhecimento, e nessa procura encontraram o Sindicato dos Produtores Rurais de Divino. As três já fizeram diversos cursos oferecidos pela entidade em parceria com o Sistema Faemg Senar e participaram do Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Café+Forte.  “O trabalho no campo não é fácil. Para fazer dar certo é necessário conhecimento e vivência. Nesse processo o ATeG foi essencial para nós”, contou a cafeicultora.

Histórias como a de Viviane estão alinhadas com o estudo realizado pela graduanda em Gestão do Agronegócio pela Universidade Federal de Viçosa, Thamires Queiroz Pereira, sob a orientação da professora Fernanda Silva. A participação feminina na cafeicultura das Matas de Minas foi tema do trabalho de conclusão de curso da jovem. Filha de produtor rural, ela contou que se inspirou nas suas vivências e observações do meio rural para escolher o tema do trabalho.

Propriedade fica em Divino, na região das Matas de Minas

Para a pesquisa, ela utilizou informações de 142 propriedades rurais atendidas pelo Programade Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Café+Forte, do Sistema Faemg Senar, em 14 municípios da região das Matas de Minas de 2019 a 2022. “Quis fazer um trabalho que tivesse um impacto maior na sociedade e acredito que falar sobre as mulheres no campo é uma contribuição importante”, explicou Thamires.

Resultados

Os resultados da amostra pesquisada mostraram uma grande diferença no número de mulheres à frente das propriedades. Elas eram apenas nove das 142. Quanto à produtividade, os dados mostraram que não há discrepância entre lavouras conduzidas por mulheres. “Embora os produtores mantenham áreas médias de produção maiores do que as produtoras, a diferença não é tão significativa. As produtoras, em média, cultivaram entre 3,70 e 4,62 hectares nas três safras analisadas, enquanto os produtores cultivaram entre 5,70 e 6,23 hectares”.

Entre as conclusões da pesquisa, Thamires apontou que as mulheres demonstram competência para a produção, mas enfrentam barreiras no “ambiente tradicionalmente masculino” da cafeicultura. Ela salienta que com colaboração e apoio o agronegócio pode potencializar lideranças femininas não só na cafeicultura das matas de Minas, mas em todo o Brasil.  

A pesquisa ainda indicou que as mulheres têm maior índice de escolaridade que os homens: 44,4% delas são graduadas, enquanto apenas 12% dos cafeicultores da amostra possuem ensino superior.  “As mulheres vem aperfeiçoando-se, aprimorando suas habilidades e desenvolvendo competências para ampliar sua participação no agronegócio. É fundamental combater estereótipos de gênero e normas culturais que limitam o papel das mulheres na gestão e encorajar maior participação feminina de todas as faixas etárias”.

Apresentação do trabalho - à esquerda, o gerente regional de Viçosa, Marcos Reis

A futura bacharel em Gestão do Agronegócio conclui dizendo que “a diversidade de perspectivas e experiências é essencial para impulsionar o progresso do setor cafeeiro”. Thamires ressalta que pretende apresentar o resultado da pesquisa a mulheres cafeicultoras.

Relevância

O gerente do Sistema Faemg Senar em Viçosa, Marcos Reis, que foi um dos avaliadores do trabalho, corrobora a iniciativa e destaca a relevância do estudo para o desenvolvimento regional. Ele ainda reforçou a importância de levar os resultados a campo a fim de promover o debate sobre o tema entre os produtores e produtoras rurais.  

Já a cafeicultora Viviane Cunha afirma que o coletivo faz a diferença, especialmente no caso das mulheres do café. Ela que também é liderança do local, atuando como vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Divino salientou que participa de diversos eventos relacionados à cafeicultura e tem incentivado outras mulheres a fazerem o mesmo. Para Viviane a presença feminina na cafeicultura requer “amor, resiliência, equidade, conhecimento e coragem”.