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Avanços animam pecuaristas após fim do ciclo de ATeG

ATEG BALDE CHEIO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
28/09/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Por dois anos, o cotidiano do casal de produtores rurais Flávio Cavalcante Rocha e Rosana Cavalcante envolveu muito estudo, novas rotinas de trabalho no campo e mudança na percepção de gestão do negócio rural, dedicado à bovinocultura de leite em Brasília de Minas, Norte do estado. O objetivo de tornar a propriedade ainda mais rentável e produtiva teve suporte do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, realizado em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Brasília de Minas.

Manejo dos animais na fazenda do produtor Flávio Cavalcante passou por mudanças e aprimoramento após ATeG

“Existe uma divisão da atividade leiteira na cidade em dois momentos, antes e depois da Faemg. Porque, agora [após o ATeG], todos os produtores estão unidos, crescendo, fazendo compras coletivas, etc. Aqui existia uma dificuldade para estruturar a cadeia produtiva, e o ATeG alinhou o grupo de produtores da atividade, que tem extremo potencial. A Faemg plantou a semente, agora cabe a nós cuidarmos. A região tem tudo para virar polo produtivo”, avaliou Flávio Cavalcante.

Membros de famílias de produtores rurais, nos últimos quatro anos Flávio e Rosana resolveram investir na produção de leite, aproveitando o potencial da propriedade. No início, a produção diária de leite girava próximo aos 20 litros/dia. Focados em transformar o empreendimento, eles se capacitaram e buscaram investir de maneira planejada. A chegada da assistência técnica e gerencial foi pontual para arrematar as mudanças iniciadas. A média de leite atualmente é de 100 litros por dia.

“Eu acompanhava um pouco a rotina do meu avô na fazenda e já me visualizava atuando na produção de leite de forma mais técnica. Começamos a fazer do nosso jeito, com poucas vacas, enfrentando algumas dificuldades, mas seguimos buscando conhecimento. Com a chegada do ATeG, começamos a ver a atividade de forma diferente, passamos a fazer investimentos mais certeiros e mudamos a rotina de trabalho. Hoje a fazenda tem rotação de cultura; divisão em piquetes; planejamento para produção de comida da seca, entre outras melhorias. Iniciamos a montagem da capacidade produtiva da fazenda, junto ao técnico da Faemg”, explica Flávio.

Produtores conheceram resultados durante apresentação de benchmarking

Evoluções com o ATeG

Durante o ciclo do programa ATeG em Brasília de Minas, a movimentação financeira apenas do segundo ano de assistência dos produtores rurais do grupo do qual Flávio Cavalcante fez parte, foi de R$ 5.114.390,40. Os dados foram celebrados durante apresentação de benchmarking. Segundo o técnico de campo Marcos Abraão Vieira, foram várias evoluções conquistadas que certificam possibilidade de continuidade do crescimento da cadeia do leite na região com fazendas mais eficazes, que usaram a mesma área produtiva para conseguirem aumentar a produção.

“Realizamos, por exemplo, a implantação da segunda ordenha em 40% das propriedades, o que gerou um aumento médio de 32% na produção diária de leite. Em alguns casos, produtores aumentaram em três vezes suas médias produtivas. Também trabalhamos estrategicamente para o aumento na produção de volumoso e na melhoria no manejo nutricional dos animais, onde os produtores puderam aprender a produzir ração concentrada na fazenda, com milho reidratado, que ainda ajuda a reduzir o custo de produção”, pontua Marcos Abraão.

A implantação das novas técnicas de trabalho e manejo foram essenciais para que o produtor Divino Ézio Simões Ferreira passasse da média de 150 litros/dia para mais de 700 litros ao longo dos últimos anos. “Tive certa resistência no início para entrar no grupo e, até nas primeiras visitas, não achei que seria tão interessante. Mas logo em seguida vi que era necessário. O que o técnico passava dava certo e o retorno na atividade foi só melhorando”, afirma o produtor rural.

O produtor Ézio Simões conseguiu avanços na produção de leite com novas estratégias de trabalho - à direita, o técnico de campo Marcos Abraão

Toda a renda da família vem da produção de leite. O foco exclusivo na atividade tem ajudado no melhor planejamento das ações da fazenda. Ézio Simões passou, por exemplo, a utilizar como estratégia de manejo alimentar a separação do trato das 50 vacas em quatro cochos. E graças ao planejamento, o alimento não faltou para atender a demanda dos animais, mesmo com a longa estiagem característica do Norte de Minas.   

“Essa foi outra demanda aprimorada com a assistência técnica e gerencial. Antes eu fazia um silo de 20 toneladas. No primeiro ano de ATeG consegui passar para 70 toneladas e, no segundo ano, foram 300 toneladas, o que fez toda diferença, já que estou tratando das vacas com silo desde o fim de março. Se não tivesse feito esse ajuste, não sei como seria nessa época de seca e eu não teria nem feito novos investimentos na fazenda. Com alimento suficiente, o investimento foi calculado”, lembra Ézio Simões, que já iniciou processo de melhoramento genético do rebanho com inseminação e está na fase final de instalação de ordenha mecânica e irrigação da lavoura.

Semente plantada

Para o gerente regional do Sistema Faemg Senar, Dirceu Martins, a semente foi plantada e, agora, cabe aos produtores seguirem atuando como verdadeiros empresários rurais. “O atual cenário da cadeia do leite, com preços desfavoráveis ao produtor rural, é o momento mais importante da gestão fazer a diferença na propriedade. O ATeG mostrou este caminho e fez toda diferença para eles, porque não existe mais espaço para amadorismo. Agora é importante que os produtores se mantenham unidos, busquem parcerias para seguir evoluindo tecnicamente e atuando como empresários rurais”, afirma Martins.

Flávio e a esposa, Rosana Cavalcante, investiram na atividade leiteira e ganharam ânimo extra com a assistência técnica

A formação do grupo de ATeG refletiu diretamente na maior aproximação dos produtores de leite da região, que passam a trocar informações sobre vários pontos que impactam a atividade, como a compra de insumos.

“Existia uma dificuldade para estruturar a cadeia. Agora o grupo se alinhou, até mesmo para a criação de uma associação, um produtor estimulando o outro. A atividade não é fácil, mas de extremo potencial, com giro de movimentação financeira grande para a cidade e região, algo sem precedentes. Nós apostamos no leite, fizemos nosso crescimento, ouvimos e conhecemos produtores e seus casos de sucesso. O Sistema Faemg possibilitou também este acesso e troca de experiências. A atividade precisava dessa transformação, tornando as fazendas em indústrias. Agora é caminhar com as próprias pernas”, finaliza Flávio Cavalcante Rocha.

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