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Dedicação e trabalho em conjunto impulsionam sucessão familiar

ATEG OLERICULTURA
ESCRITO POR JOSIANE MOREIRA, DE SETE LAGOAS
19/06/2024 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Em Mário Campos, o verde das hortaliças folhosas é esperança de um futuro melhor para a família Borges. A horta produzida em uma área de 2 hectares abastece a região com produtos frescos e de qualidade, história que o produtor Wilian do Nascimento Borges, 55 anos, conta com orgulho desde quando deixou a vida como ajudante de pedreiro, em Belo Horizonte, para se dedicar à agricultura, seguindo os passos de outros familiares.

O produtor Wilian mostra com orgulho a qualidade das hortaliças após ATeG

O que torna essa narrativa ainda mais especial, como quem reforça um legado, é a participação ativa do filho, Luiz Fernando Silva Borges, 20 anos. Bastou concluir o ensino médio para assumir todas as etapas da produção, do manejo à comercialização. E as sementes da dedicação exclusiva tem gerado frutos. “Planto, cuido das mudas, esterco, adubo, opero máquina agrícola, faço irrigação, pulverização, colheita e ajudo na banca”, descreveu, animado com a mais nova aquisição a partir da renda dos produtos comercializados: uma caminhonete para fazer as entregas.

A paixão pela agricultura corre nas veias de Luiz Fernando, que não se imagina fazendo outra coisa - por isso mesmo, seu envolvimento na atividade não se limita ao trabalho manual. Responsável pela gestão do negócio, o jovem toma decisões importantes com o apoio da mãe, Luciene Borges, responsável pelo financeiro. "A horta nos ensina muito sobre gestão. Se eu planejo a produção, consigo colher bem e vender com facilidade. Outro ponto positivo é que meu pai me dá muita liberdade, e o respeito é mútuo. A única coisa que não controlamos é o clima, o restante temos aprendido dia a dia como melhorar", brincou, de olho nos próximos planos de migrar para um terreno maior e construir a casa própria.

A chave do sucesso

O Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Olericultura do Sistema Faemg Senar, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Brumadinho, acompanha a família e tem contribuído para a sustentação do sonho da sucessão familiar, despertando um novo olhar de pai e filho pela atividade.

Juntos, eles estão inserindo a gestão na rotina e conhecendo novas técnicas e manejos alternativos, sustentáveis e de baixo custo, capazes de “salvar” algumas culturas. Um exemplo é a couve, que sofria constantemente com os danos causados pela doença do pulgão, um pequeno inseto que pode atrasar o desenvolvimento das plantas. Neste caso, o controle para reduzir a praga foi possível com o uso de extrato de folhas de mamona e solução à base de urina de vaca, considerado um ótimo fertilizante por ser rico em nutrientes essenciais às plantas.

Wilian, o filho Luiz Fernando e a esposa, Luciene

Outras práticas implementadas, como ajustes nas irrigações e na dosagem da aplicação de produtos agrícolas desenvolvidos a partir de ativos biológicos, adubação equilibrada, além de recomendação de correção do solo após análise dos resultados de material enviado para o laboratório, trouxeram melhorias também na qualidade e aumento na produtividade do cultivo da alface lisa, crespa, roxa, americana, almeirão, couve, cebola, salsa, agrião, espinafre, acelga, beterraba, hortelã, mostarda, coentro e cenoura. Dados técnicos apontam 8.242 unidades de hortaliças produzidas a mais entre julho de 2023 e maio de 2024, se comparado ao primeiro ano agrícola.

Com isso, o incremento na renda bruta de mais de R$ 33 mil e o processo natural de fidelização de diversos clientes, reforçam um sentimento sobre prosperidade e o meio rural. “Em geral o agricultor é meio relaxado com as contas e fica meio à mercê de novas práticas. Agora, as coisas estão mais organizadas, a gente sabe para onde o dinheiro está indo e trabalhamos no azul”, explicou, referindo-se aos gráficos e resultados apresentados pelo técnico de campo Anderson Gustavo de Oliveira. “E é bom que meu filho inicie o protagonismo na agricultura fazendo o certo, sendo mais assertivo”, comentou o pai, Wilian, agradecido.

A única insatisfação, no momento, segundo Wilian, é a sensação de desvalorização do homem do campo. “A cidade não faz ideia do trabalho por trás de uma boa salada de rúcula, com alface e tomate. Isto não é de hoje. Mas, por outro lado, fico feliz pelos jovens, assim como meu filho, que entenderam que, se antes o interior era visto como inferior, hoje é um celeiro de oportunidades”. Aos pais que estão no caminho da sucessão familiar, o conselho é que “nossos filhos têm mais acesso à tecnologia, por isso caminhem lado a lado, com respeito, e estejam prontos para o novo”.

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