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Parcerias para alavancar pecuária leiteira

DESENVOLVIMENTO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
14/03/2022 . SISTEMA FAEMG, SENAR, FAEMG

O Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos reuniu parceiros e produtores rurais para dar o pontapé em um projeto que visa melhorar a qualidade da pecuária leiteira, fortalecer a bacia produtiva e o desenvolvimento de arranjo produtivo local na região de Coração de Jesus. Durante a reunião, foram apresentados detalhes do projeto “Melhores Práticas e Gestão na Pecuária de Leite”, que terá atuação conjunta com o Sicoob Credinor, Fundação Credinor e Sebrae, levando mais conhecimentos e tecnologia ao pecuarista. A expectativa é que mais de R$ 1 milhão sejam investidos no projeto, por meio de aporte do Sebrae Minas.

Objetivo da ação é desenvolver a pecuária de leite

“A gente está unindo forças para fazer com que a região no entorno de Coração de Jesus evolua na pecuária de leite, se torne competitiva e sustentável. Precisamos atuar da porteira para fora, buscando entidades parceiras, programas que nos favoreçam, crédito nas instituições financeiras para melhorar nossos projetos, entre outros. Nossa região não oferece tantas alternativas para explorar a produção rural, mas o leite é uma das boas opções. Muitas ações para desenvolver a qualidade do leite são acessíveis, como sanidade do rebanho, manejo, processo e higiene do leite, e isso faz a diferença na venda. Então, estamos trabalhando em parcerias para os produtores adquirirem essa qualidade”, destacou o diretor do Sicoob, Carlos Genuíno, que há 32 anos atua na produção de leite.

Durante a apresentação do projeto, os produtores rurais conheceram as metodologias de ação, aportes financeiros, etapas e metas. A atuação terá como base a formação profissional rural, assistência técnica e gerencial, inovação tecnológica e acesso ao crédito. Um levantamento prévio foi feito para identificar a realidade local, traçando um perfil dos produtores da região. As informações formaram a base de execução das ações na região, que já conta com um grupo de ATeG, do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos, em andamento. 

“Nós já temos o ATeG, com todo o suporte que é dado ao produtor, mas a gente sabe também que é preciso uma continuidade. Para trabalhar com o leite é preciso três coisas: conhecimento sobre a propriedade, a produção e o negócio do leite; precisa ter manejo; e o terceiro é a tecnologia. Muita gente se pergunta como inovar com leite, Muitas vezes este inovar é fazer a mesma coisa, mas a produção com menos custo para o negócio”, pontuou Pedro Viana, analista técnico do Sebrae. 

Evolução da cadeia

Segundo levantamento apresentado pelo projeto, 60% do rebanho na microrregião de Coração de Jesus é destinado a produção leiteira. Porém, os empreendimentos ainda precisam evoluir em alguns pontos para fincar espaço no mercado. 
“A gente precisa sempre buscar inovações e tecnologias, produzir mais e melhor. E tão mais importante que trabalhar a assistência técnica nas propriedades é trabalhar a cadeia, agregando valor ao produto. E quando falamos na cadeia produtiva do leite, três aspectos são fundamentais: genética, sanidade e alimentação, que são conquistadas através de qualificação, conhecimento, informação e tecnologia. O Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) atua exatamente neste viés, transformando o produtor rural em empresário rural. É preciso começar a aprender a fazer conta, levar a rotina da fazenda como uma empresa”, destacou o gerente regional do Sistema FAEMG, Dirceu Martins.

Para o desenvolvimento das ações, o projeto foi dividido em cinco etapas, que passam pelos temas: Boas Práticas Agrícolas, Otimização de Uso dos Recursos Hídricos – Gestão de Água, Melhoria da Eficiência Energética e Fontes de Energia Alternativas, Melhoria da Qualidade do Leite e, por fim, Melhoria Genética do Rebanho. Em todas elas, técnicos de campo irão atuar junto ao produtor rural. A expectativa é que as ações sejam realizadas até o fim deste ano. 

Para demonstrar em números que, com mais conhecimento e tecnologia é possível evoluir na atividade, a supervisora da cadeia produtiva da bovinocultura leite e corte no AgroNordeste, Abigair Duarte Matias, apresentou casos de sucesso de produtores atendidos pelo ATeG em diversas cidades do Norte de Minas, que, na sua maioria, estão em pequenas propriedades e atuam em regime familiar. Segundo Abigair, alguns importantes índices, que são trabalhados durante a assistência técnica, são primordiais e, por isso, o produtor precisa ter controle das informações do seu negócio.

“Se a gente não conhecer os animais que nós temos, por exemplo, podemos comprometer indicadores importantes, que se tornam renda para a propriedade. Tudo isso é trabalhado com uma organização, gestão da propriedade através de anotações: produtivas, reprodutivas, controle zootécnico, fluxo de caixa, entre outros. Só assim, conhecendo quanto gasta para produzir o leite que o produtor vai saber se o valor que o laticínio está pagando é atrativo ou não”, resumiu. 

Gerente do Sistema FAEMG, Dirceu Martins, com o projeto em mãos durante a apresentação

Potencial

Nascido na região, Rodrigo Antunes Cunha e Rabelo Conceição, supervisor do ATeG Balde Cheio, sabe bem da importância que este complexo de parcerias vai trazer aos produtores de Coração de Jesus e de toda a microrregião. Para ele, o potencial é grande, mas, por falta de conhecimento, o produtor deixa de ter eficiência no processo e isso gera baixa rentabilidade. 

“Já acompanhamos os produtores há algum tempo e percebemos que a carência de informação é muito grande; e a parte gerencial é uma das falhas. O produtor não tem controle de despesas e receitas, não sabe onde o dinheiro que está sendo investido. E aqui temos uma escassez de chuvas, dificuldades de insumos etc., e, por isso, mesmo o produtor precisa ser mais assertivo e eficiente. Toda a população vai ganhar com essa maior eficiência do produtor no campo, que vai atuar no desenvolvimento da região, evitando o êxodo rural, gerando riquezas e movimentando todo um comércio local".

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