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Produtor supera tragédia em Brumadinho com a olericultura

ATEG OLERICULTURA
ESCRITO POR JOSIANE MOREIRA, DE SETE LAGOAS
18/09/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, FAEMG


De comerciante na CEASA a produtor e gestor

Há 10 anos, quando era funcionário e comercializava alimentos na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa) e, atento ao mercado da olericultura, o produtor Dimas Bessa de Souza já sonhava em ter o próprio negócio. A vontade de aprender mais sobre essa cadeia produtiva era tanta que não levou muito tempo para isso acontecer e sua vida se transformar com a “Nosso Agro & Hidropônicos”, em Mário Campos, região metropolitana de Belo Horizonte.

Hoje, as visitas à Ceasa têm outra finalidade: o escoamento da própria produção de diferentes olerícolas. No cardápio, alface, espinafre, agrião, mostarda, coentro e rúcula, tudo em sistema hidropônico, que é uma técnica de cultivo em substrato ou solução nutritiva, e não diretamente no solo. “Eu só conhecia o método convencional. Falar em hidroponia parecia coisa de outro mundo para mim, mas mudamos o olhar em um período difícil por causa da necessidade de água. Comecei pesquisando, fiz minha primeira compra em 2019 e hoje eu não troco mais. São muitas vantagens, tanto para quem produz quanto para quem consome”, comentou Dimas, satisfeito com o rumo que as coisas tomaram. 

 

 Cultivo de espinafre é um dos preferidos na Nosso Agro & Hidropônicos
 



Dimas não abre mão da qualidade e encontrou na hidroponia muitos motivos para apostar no empreendimento rural. Nos primeiros dois meses de 2023, o Nosso Agro & Hidropônicos levou para a mesa dos brasileiros cerca de 18.650 unidades de olerícolas hidropônicas, uma média mensal de 9.325 volumes entre janeiro e fevereiro. A perspectiva é de crescimento para 2023/2024 com ampliação da área cultivada, mais volumes comercializados e, consequentemente, receitas. “Minha vida virou outra. Só cresci de lá para cá, gerando renda para outras pessoas da família”, comentou ao se referir à sua participação no Projeto SuperAção Brumadinho e no Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG Olericultura) do Sistema Faemg Senar.

 

Estrutura e gestão como segredo do sucesso

A propriedade segue em pleno crescimento. São quatro estruturas, sendo um viveiro de mudas em uma delas. A capacidade de cultivo chega a aproximadamente 24.120 plantas, 42% a mais que em 2019, e ainda conta com estrutura para a produção de mudas com capacidade para 260 bandejas de 200 células (plantas) cada, o que permite redução de desembolso para este insumo e menos impacto nos gastos diretos ou variáveis da atividade.

O motivo do sucesso está na organização da propriedade, segundo a técnica de campo Janaina Canaan Rezende. “Dentro da porteira”, o produtor confia as responsabilidades ao parceiro agrícola Ricardo dos Santos, principal ator na garantia da produção satisfatória em quantidade e qualidade. Cabe a ele, principalmente, o manejo da solução nutritiva, a manutenção do sistema hidropônico e o monitoramento da estrutura de cultivo protegido. Já Dimas, auxilia nas ações de semeio de hortaliças em bandejas para a produção de mudas, monitoramento, atuando também “fora da porteira”, nas vendas na CEASA Minas, negociação, fidelização de clientes e busca por mercados/clientes. 

Enquanto isso, durante as visitas mensais, a técnica de campo acompanha o desenvolvimento das plantas, identifica pragas e doenças, aponta estratégias de controle e melhorias estruturais de todo o sistema hidropônico, sob um olhar sistêmico e personalizado. “Além disso, discutimos dados da gestão econômica e financeira do empreendimento rural e outras informações coletadas para a tomada de decisão a curto e médio prazo das análises gerenciais”, completou. O próximo passo é identificar os indicadores produtivos da mão de obra familiar e demais colaboradores e o fazer o escalonamento da produção, quantificando-a em prazos.

Dimas não abre mão da qualidade e encontrou na hidroponia muitos motivos para apostar no empreendimento rural
 

Em tempos de crise, a oportunidade
         
Contando até aqui, nem dá para imaginar que a empresa familiar cresceu em meio a muita turbulência. Na época, quando ainda se recuperava dos prejuízos com o rompimento da barragem B1 em Córrego do Feijão, vieram chuvas intensas na região e a pandemia. “Comecei a “hortinha”, apelido que dei naquele momento, na raça e na coragem e, do nada, me vi diante de situações que fugiam ao nosso controle. Por sorte, o Senar chegou e nos apresentou um mundo de conhecimento e possibilidades. Ao passo que muitos fechavam as portas, nós ampliamos a área de cultivo”, lembrou. 

Além das conquistas a partir do SuperAção Brumadinho e ATeG Olericultura do Sistema Faemg Senar, e com o aquecimento do mercado de hortaliças, outra surpresa: o convite para participar de um projeto piloto da startup Hortify junto ao NovoAgro Ventures e viver a experiência de administrar a propriedade na “palma da mão”, por meio de um aplicativo de celular, sempre em parceria com a técnica de campo. A novidade trouxe mais facilidade na hora de compilar os resultados para a gestão financeira e melhor compreensão do fluxo de caixa da propriedade, revelando os gargalos de compras e vendas, a estrutura organizacional da empresa com os registros em caderno de campo. “Nunca imaginei viver tudo isso. A tecnologia ampliou nossos horizontes”, revelou o produtor. 

Na visão da técnica, logo, a atuação do Sistema Faemg Senar na oferta de programas de assistência técnica e gerencial possibilita a realização de ações mais assertivas dos processos de gestão dos empreendimentos rurais. “Estamos diante de um caso de sucesso muito especial. As dificuldades não deixaram o produtor desacreditar do seu sonho e seguir adiante, até se tornar referência no mercado. Que sirva de inspiração para outros produtores”, disse Janaina.  

 

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