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‘Precisamos fazer um país que não tenha fome’, defende Antônio de Salvo durante seminário

MEIO AMBIENTE
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
06/06/2022 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, FAEMG

Montes Claros foi sede da segunda edição do Projeto Descomplicando Questões Ambientais, levando ao Norte de Minas a equipe técnica do Sistema FAEMG para tirar todas as dúvidas dos produtores rurais sobre fiscalização e regularização ambiental da sua atividade. No encontro, realizado no Parque de Exposições João Alencar Athayde, estiveram presentes presidentes de sete sindicatos rurais da região, produtores rurais e dirigentes de órgãos ambientais.

O presidente do Sistema FAEMG, Antônio de Salvo, participou da abertura do evento e defendeu maior harmonia e diálogo entre os diversos entes que atuam nas questões ambientais no meio rural. “Temos uma aptidão do agro muito forte e temos que fazer com que o Brasil se desenvolva de forma racional e equilibrada. É preciso uma discussão mais madura para avançar neste que é um tema tão debatido. Não dá para ter mais um posicionamento áspero. As brigas do passado ficaram para trás. O momento é de iniciar um novo processo para que possamos evoluir. Vamos atuar pacientemente com nossa equipe técnica e parceiros. Precisamos avançar, senão ninguém ganha. Precisamos fazer deste país um país que não tenha fome. Não queremos briga. Queremos a melhoria de vida para todos nós”, afirmou.

Antônio de Salvo destacou ainda o crescimento do uso da tecnologia no meio rural, que tem garantido uma produção cada vez mais sustentável, profissional e qualificada. O dirigente citou como exemplo o uso da forrageira braquiária, que foi introduzida no Brasil após muito estudo para melhoramento genético e correção de solo. “Antes era um capim que dava só três vezes ao ano. Isso não é dádiva do povo brasileiro. Nós aprendemos a fazer isso. Tem muito estudo em cima para o produtor sair, por exemplo, de 500 cabeças de gado para 1500 mantendo 30% reservado para o meio ambiente. Temos vários produtos desenvolvidos no Brasil com tecnologia nossa. Não é possível que não possamos conviver com o meio ambiente, mesmo porque, se nós não provarmos que a nossa banana é sustentável, ou que o nosso boi é, o comprador não vai querer”, pontuou.

Debates

Entre os temas do evento, foram debatidos a importância da regularização ambiental e das boas práticas no meio rural, Licenciamento Ambiental, procedimento para intervenção ambiental (limpeza de área, supressão de vegetação nativa, entre outros) e regularização do uso de recursos hídricos. Mariana Ramos, gerente de sustentabilidade do Sistema FAEMG, apresentou um levantamento referente às principais infrações ambientais do agro na região Norte de Minas, que corresponderam, no comparativo 2020 e 2021, a mais de 20% das autuações aplicadas em todo o estado. Dos 680 autos de infração aplicados a produtores rurais na região nos últimos três anos, 627 seguem em aberto, situação que preocupa a especialista e que reforça a importância do debate regionalizado.

“Este diálogo é muito importante. Acima de tudo, a fiscalização precisa ser orientativa, trazer o produtor para junto do sistema de meio ambiente. Este encontro em Montes Claros foi para proporcionar este momento, para o órgão ambiental entender o produtor e suas angústias e perceber que a orientação é o melhor caminho. O comando e controle é essencial, mas ele não pode tirar o produtor rural da atividade. Precisa dar condições para se regularizar. O agro precisa ser entendido como atividade renovável. Diferente de tantas outras, a gente produz água, alimento e cuida do solo. Então, não podemos ser vistos dentro de uma legislação que foi inicialmente preparada para mineração. Temos que ter legislação específica”, avaliou Mariana Ramos.

Estiveram presentes ao evento o coordenador da unidade regional de gestão das águas do Norte de Minas, Wesley Mota França; a supervisora da Unidade regional de florestas e biodiversidade, Margareth Suely Caires; e a superintendente regional de meio ambiente do Norte de Minas, Mônica Veloso de Oliveira. Da equipe FAEMG, o evento contou com as presenças do assessor da Diretoria do Sistema FAEMG, Antônio Álvares (Toninho de Pompéu), o superintendente técnico da FAEMG, Altino Rodrigues; o superintendente do SENAR MINAS, Christiano Nascif; o gerente regional em Montes Claros, Dirceu Martins; e a equipe de sustentabilidade do Sistema FAEMG.

Conhecer para prevenir

A proposta é que novas rodadas de bate-papo, em outras regiões do estado, sigam ao longo do ano, sendo suporte às diversas ações que o Sistema FAEMG desenvolve, levando novos conhecimentos aos produtores rurais. Antônio de Salvo apontou ainda que um trabalho sério vem sendo feito nas bases para que a produção rural siga evoluindo nas boas práticas. “São mais de 500 técnicos de campo atuando para melhorar a vida destes produtores. Nós temos atendido as pessoas de forma a levar conhecimento para que possam atuar melhor dentro dos diversos setores que investem. Temos um bom exército de pessoas do bem, que querem crescer, orientando e ensinando para melhorar a vida do produtor rural, e consequentemente gerar bons produtos para alimentar, de forma digna e barata, quem mora nas cidades”, finalizou o presidente do Sistema FAEMG.

“Cada vez mais estamos promovendo ações de interiorização. Queremos transformar o Sistema FAEMG também em uma referência quanto as questões ambientais, para que o produtor não caia na ilegalidade e que venha a perder aquela área de produção”, completou Mariana Ramos.