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Sucessão familiar aliada aos novos conhecimentos no campo

SUCESSÃO NO CAMPO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
19/01/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

A Fazenda São Luiz está na família de Leandro Oliveira Andrade há mais de 60 anos. Inicialmente, eram o avô e o pai que se dedicavam ao cuidado da propriedade, que atua principalmente com a bovinocultura de corte, na região de Ponto Chique, no Norte de Minas. Hoje a administração passa por atualizações técnicas e gerenciais, com o objetivo de manter vivo o legado da família. Leandro, que assumiu o negócio há pouco mais de um ano, é assistido pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar e já tem colhido frutos dessa nova etapa.

“Juntar o que eu já sabia de vivência prática com conhecimentos adquiridos com meus familiares e com as inovações que o ATeG traz tem sido uma experiência positiva, especialmente quanto ao gerenciamento do negócio e o manejo com os animais e a pastagem. Apesar de recente, a gente já está percebendo mudanças. O que estamos fazendo está alinhado ao que vimos de novidades nos eventos técnicos”, conta, com orgulho, Leandro Oliveira.

A técnica de campo do Programa ATeG  Maria Cecília, junto ao produtor rural Leandro Oliveira (de vermelho)

Enxergando o potencial da propriedade e tendo ainda como foco a preservação da história da família, Leandro vem fazendo ajustes pontuais junto à técnica de campo Maria Cecília. O manejo extensivo, em que os animais eram colocados nas áreas de pastagem sem uma análise mais profunda da capacidade do local, deu lugar para a estratégia. Agora o gado é colocado no momento certo, garantindo melhor condicionamento nutricional e ganho de peso, e forçando menos a pastagem. A relação custo-benefício melhorou. Entre matrizes e bezerros, são cerca de 300 animais.

“Desde 2017 eu vinha atuando junto ao meu pai na propriedade. Após o seu falecimento, assumi de fato. Estou ainda pegando o ritmo da fazenda. É preciso entender qual suporte ela vai possibilitar, revitalizar e construir pastagens, aumentar o manejo, entender a demanda financeira para buscar avançar na criação dos animais e para projetar as ações para os próximos anos. O que é feito hoje dá para pensar na continuidade da fazenda para manter na família, que já está na terceira geração. Meu avô criou os filhos, depois veio meu pai e, agora, a gente. Sabemos que naquele lugar estamos mantendo vivas as memórias”, finaliza Leandro Oliveira.

Conhecimento não pode parar

Geraldo Magela dos Santos também cresceu vendo o trabalho do pai na fazenda de gado de corte em Pirapora, que está há cerca de 40 anos na família. Se dedicando em tempo integral ao negócio, Geraldo entendeu que era hora de renovar seus conhecimentos para que a propriedade pudesse se manter sólida. Tudo o que ele vinha fazendo até então foi conhecimento adquirido no dia a dia.

“O ATeG dá uma visão bem ampla para melhorar o trabalho da gente. Algumas coisas eu achava que estava fazendo da melhor forma possível, mas, com a atuação técnica, vemos que o resultado é diferente, mais concreto. Por exemplo, o manejo e controle da alimentação já fizeram grande diferença, porque antes eu não tinha ideia do consumo por dia do animal no cocho”, relata o produtor rural.

Geraldo aprendeu junto ao pai, Sebastião, a lida com a fazenda 

As novas alternativas adotadas geraram economia de gastos com alimentação e mais rendimento aos animais. A fazenda mantém 73 cabeças de gado, quantidade conquistada após ajustes e descarte de animais que não rendiam. No dia a dia de trabalho, Geraldo vem buscando aprimorar técnicas para que a fazenda se mantenha por 10, 20, 30 ou mais anos na família. E tudo o que é feito é acompanhado de perto pelo pai, seu Sebastião Pereira, de 76 anos.

“Meu pai acha muito positivo os novos rumos que a fazenda vem se preparando para tomar. Enxergamos que era a hora de mudar algumas coisas. Os desafios nunca vão parar, mas com o ATeG ganhei mais ânimo. Me sinto mais preparado e isso é importante para manter a sucessão, para a propriedade seguir sólida”, destaca Geraldo Magela.

Para a técnica de campo Maria Cecília, os produtores estão no caminho certo, tratando a sucessão não somente como herança, mas buscando formação e preparo para assumir as novas responsabilidades como gestores das propriedades. “Quem sucede deve estar preparado para conduzir bem os negócios da família. O ATeG veio até eles para motivar ainda mais e nortear sobre os caminhos a serem seguidos. Oriento na gestão, na adoção de novas tecnologias a serem implantadas e sempre guiando para seguirem o melhor caminho conforme a realidade da propriedade e seguindo na atividade que há anos faz parte de suas famílias”, diz.