O Dia de Campo do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Balde Cheio em Ubaí comprovou a importância de, cada vez mais, o produtor rural trabalhar com novos conhecimentos e inovação para alcançar a sustentabilidade da atividade. O evento reuniu aproximadamente 200 pessoas para palestras técnicas e atividades práticas na Fazenda Taboquinha, que é assistida pelos técnicos de campo do Sistema FAEMG e que se tornou modelo na atividade leiteira regional.
“Especialmente no Norte de Minas, o produtor precisa, cada vez mais, produzir de forma profissional. É preciso se preocupar com o que é possível fazer para economizar, como é o caso do milho reidratado, técnica que poucos produtores usam. Se a gente não começar a mostrar ao produtor que ele precisa ajustar ao máximo o seu sistema produtivo para começar a ganhar, boa parte vai deixar a atividade”, explicou o consultor master do ATeG Balde Cheio, Walter Ribeiro, que palestrou sobre o tema “Milho reidratado – Técnica para atuar no custo de produção”.
Os temas debatidos no evento chegam para ampliar as ações já desenvolvidas nos grupos de ATeG. A região de Ubaí, que compreende uma importante e tradicional bacia leiteira regional, ao lado das cidades de São Francisco e Icaraí de Minas, está com seu segundo grupo de ATeG Balde Cheio em andamento. O técnico Luiz Pedro, que acompanha esses produtores, destaca que o avanço tem sido grande, com ajustes especialmente na alimentação e nutrição dos animais. No dia de Campo, o especialista falou do uso correto do capim BRS capiaçu, que tem sido implantado em propriedades acompanhadas pelo programa.
“Vimos a deficiência dos produtores em implantar e usar o BRS capiaçu no dia a dia com viabilidade econômica. Por isso, levamos este tema para o evento, para ajudar na correção da utilização e, para quem ainda não usa, ver que essa cultura pode dar muita viabilidade”, afirmou Luiz Pedro.
Fortalecendo a cadeia leiteira
O evento atraiu empresas parceiras que atuam na produção rural e na comercialização do leite e seus derivados. Por isso, o tema “qualidade” não poderia deixar de ganhar destaque. Segundo a supervisora técnica do ATeG, Abigair Duarte, os produtores precisam se conscientizar da responsabilidade de oferecer um produto de qualidade para o consumidor final. Em sua fala, ela orientou sobre como evitar infecções no leite.
“Independentemente se vai entregar o leite em laticínios ou fazer produção própria, a qualidade vem para agregar valor. O estado de saúde, nutricional e sanitário dos animais, por exemplo, repercute para se obter essa qualidade. Esse acompanhamento é constante, e o produtor não pode pular etapas”.
Aderilson Almeida Matos, diretor de um laticínio, destacou que o evento reforça a importância do trabalho profissionalizado e que tudo isso repercutirá no fortalecimento da cadeia produtiva local. A empresa dele, instalada em São Francisco, chega a comprar cerca de 100 mil litros de leite por dia, tendo os produtores regionais como principais fornecedores. “Essas palestras e trocas de experiência engrandecem o produtor, contribuindo para alavancar a produção e melhorar a qualidade. A cada dia, os produtores do Norte de Minas produzem mais e estão se capacitando para reinvestir na atividade”.
Para o gerente regional do Sistema FAEMG, Dirceu Martins, o papel da equipe técnica na região tem sido importante no processo de aperfeiçoamento da cadeia do leite e, por isso, o Dia de Campo se fez ainda mais estratégico. “É muito importante o Sistema FAEMG se fazer presente em Ubaí, que é referência na produção leiteira da região. Estamos juntos aos produtores, levando conhecimento e tecnologia, especialmente porque, no semiárido, eles precisam ter estratégias para alimentar o gado, para melhorar a qualidade do produto, para entender como adquirir matérias-primas, etc. Essa mudança de atitude vai contribuir para o aumento do volume produzido e melhoria significativa do leite. Cabe a nós apoiar estes produtores e os tornar empresários rurais”.
“Esta atividade dá retorno aos produtores que investem na qualidade do rebanho e da produção. A gente sempre buscou parcerias para qualificar os produtores, melhorando a renda e a qualidade de vida. O município vem se destacando na produção de leite e agora precisamos melhorar a eficiência produtiva. Quanto mais os municípios se unirem em prol dessa produção com qualidade, mais a gente consegue comercializar melhor o produto e atender melhor os consumidores finais”, avaliou o prefeito de Ubaí, Farley Vieira, que também é produtor de leite.
Confira outros depoimentos
“Hoje precisamos de tecnologia nova para gerar mudanças para a vida do produtor rural, que sofre demais. Por isso, eles precisam de informações boas, que ensinem a trabalhar com poucos recursos e, ainda assim, produzindo mais. Já trabalhei na roça. Ver isso hoje é muito bom, os recursos e a tecnologia chegando, pessoas capacitadas ensinando aos demais alternativas para tocarem sua produção.” - Damião Ferreira Matos, comerciante
“O Sistema FAEMG trouxe para Ubaí um incentivo muito grande para a produção de leite. Os produtores têm hoje uma assistência de excelente qualidade, fortalecendo a cadeia produtiva regional. Além de fazer produzir com qualidade, os técnicos estão ajudando para que o produtor tenha alternativas.” - Heitor Ferreira da Silva, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ubaí
“Tem coisas que vimos nas palestras que a gente não sabia, ou que poucos adotam, e que são importantes para reduzir custos. O evento também provou que não podemos brigar pelo preço do leite sem nos preocupar também em reduzir custos da produção. Só assim a cadeia produtiva se manterá fortalecida e, com isso, a bacia leiteira regional também.” - Paulo Afonso Mendes de Souza, presidente da Associação dos Produtores de Leite e Agricultura Familiar de Ubaí
“Meu objetivo foi buscar conhecimento, atualizar métodos de trabalho e melhorar na atividade. A nossa renda na região é o leite, então precisamos sempre tentar produzir melhor. Quanto mais conhecimento na área, melhor.” - Juan Marcos Cavalcanti Queiroz, produtor da cidade de Icaraí de Minas.