Melhorias nos processos de fabricação de queijos, compras coletivas e fortalecimento enquanto grupo foram alguns dos motivos que reuniram produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial – ATeG Agroindústria em um encontro em Santo Antônio do Jacinto, no Vale do Jequitinhonha, na última semana. Todos são assistidos pela técnica de campo Luciana Godinho. “Essa foi a primeira reunião do grupo e o resultado foi bem interessante. Queríamos promover a troca de ideias entre todos”, avaliou a técnica. O gerente regional do Sistema FAEMG/SENAR/INAES em Araçuaí, Luiz Rodolfo Antunes, participou do encontro.

Segundo Luciana, a iniciativa da reunião partiu deles mesmos. Eles queriam uma análise do desempenho deles no programa, trocar ideias, conversar sobre as tendências do mercado do leite e estratégias sobre melhores preços de leite e de queijo. Com o preço dos insumos variando muito, eles planejaram se unir para conseguir preços melhores nas compras. “Também falamos sobre o uso da lira [utensílio semelhante a um cabo com uma grade na ponta], muito importante para quebrar a massa do queijo com higiene e padronização. Poucos têm e, desses, muitos usam errado”, conta Luciana.
Mudança de hábitos
A psicóloga e instrutora do SENAR, Valéria Gandra, ministrou uma palestra motivacional para o grupo. Ela conversou com os produtores sobre a importância da mudança de pensamento, de sair da zona de conforto para mudar hábitos que podem até ser tradicionais, mas nem sempre são corretos. Ela incentivou os participantes a verem os problemas do trabalho por outra perspectiva e confiarem nas orientações da assistência técnica e gerencial.
O casal Luziano e Geisla Pereira de Carvalho (foto abaixo) é um exemplo de mudança que culminou na reversão do prejuízo em satisfação. “Eles tinham problemas com o rendimento do leite, gastavam muito com manutenção, estavam sem controle da qualidade e se desgastavam muito, porque trabalhavam fora e iam cuidar do próprio negócio só a noite. Eles iam quebrar. A partir do momento que enxergaram a necessidade de priorizar a agroindústria, em dois meses viram um crescimento significativo”, conta Luciana Godinho.

Geisla conta que, quando colocaram tudo ‘no bico da caneta’, viram que estavam pagando para trabalhar. “Conversamos e vimos que o melhor era sair dos nossos empregos e cuidar do nosso negócio. Antes a gente gastava 11 litros de leite para um queijo e já caiu para 9 litros. A técnica que a Luciana ensinou para quebrar a massa do queijo também ajudou muito para o leite render mais, o que antes rendia 1 kg de queijo, agora rende, 2, 3kg. Tinha muita coisa que a gente não sabia e o programa melhorou em 100% nosso jeito de trabalhar”, elogia a produtora.
Importância
Para o gerente regional Luiz Rodolfo Antunes, encontros como esse são importantes exatamente pela motivação. Desmotivadas, as pessoas entram em uma rotina que dificulta a mudança de hábitos e a tomada de decisões diferentes. “Esse tipo de evento torna o grupo mais do que simplesmente um grupo; eles viram uma equipe, com pensamento de crescimento, de profissionalização”, analisa.

Também compareceu o presidente e mobilizador do Sindicato dos Produtores Rurais de Jacinto, parceiro na realização do ATeG, Antonio Jeferson Soares Gonçalves. “O sindicato considera muito importante ser parceiro no Programa ATeG. O objetivo é agregar duas coisas: promover o desenvolvimento da produtividade, agregando tecnologia e gestão, e trazer estes produtores para junto do sindicato, ofertando a eles uma carteira de prestação de serviços”, disse.