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Cursos impulsionam crescimento de cafeicultora de Cássia

TREINAMENTO
ESCRITO POR DENISE BUENO, DE PASSOS
30/11/2021 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

Toda a formação em cafeicultura da produtora Josilaine Cristina Silveira Robim, de Cássia, é resultado da sua participação dos cursos do Sistema FAEMG/SENAR/INAES, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais do município. Filha de produtor e casada com o produtor Tiago Donizete Xavier, começou o negócio produzindo nove sacas. Mesmo diante de desafios, eles investiram em educação e, hoje, produzem 1.500 sacas. A produção é vendida in natura ou processada, com a marca Alto Rural, para todos os estados. São comercializadas, aproximadamente, duas toneladas por mês entre grãos, pó e cápsulas. Clique aqui e saiba mais. “Graças aos cursos do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/SINDICATOS, temos uma vida profissional digna. Desejo vida longa à entidade, que leva ensinamento e dignidade aos produtores. Minha eterna gratidão. SENAR é vida, é esperança, é dignidade”.

Josilaine completou o ensino médio e não conseguiu continuar os estudos. Sempre morou na roça. Seu pai, nessa época, torrava café para comercialização. Ela começou a fazer o mesmo com torrador e moinho emprestados da fazenda de um amigo. O marido trabalhava no sítio do pai, com os poucos pés de café. O ano era 2009 e conseguiram colher nove sacos de café. Na colheita, prestavam serviços para os vizinhos e, nos finais de semana, Josilaine torrava e moía café para vender de porta em porta. Nesse mesmo ano, começou a participar de feiras. Junto com o café, levava a produção da roça: pimenta, jurubeba, frango, queijo e fazia bolos para vender. Nesse período, conheceu a mobilizadora do sindicato, Mariângela Batista. 

“O primeiro curso que fiz foi o de Classificação e Degustação. Abracei o curso como se fosse um MBA. Foi o meu primeiro contato com o universo cafeeiro. Enquanto isso, o Tiago estudava e buscava tecnologia para produzir. Continuei a vender o café na feira e de porta em porta. Ganhei a logo de um amigo e conseguimos mercado em cafés e padarias, mas fui barrada pela Vigilância Sanitária. Parecia que era o fim, mas não me abalei. Fiz um empréstimo e me regularizei. Comecei a vender de verdade para o mercado”.

Com isso, Josilaine começou a dedicar todo o seu tempo à torrefação e não precisava mais ir para o campo. Em 2015, a sua vida deu outra guinada. Seu filho nasceu, o casal comprou um sítio de quatro alqueires e arrendaram uma fazenda de 69 hectares toda de café. “Fizemos todos os cursos relacionados ao café. Aproveitamos as oportunidades para conseguir absorver melhor o conhecimento e seguir adiante”. O casal também começou a participar de eventos do setor e de feiras internacionais. Conquistaram amigos, ganharam concursos e viraram referência. “Comecei a ser chamada para dar palestras e participar de grupos. Confesso que me assustei”.

Equipe Alto Rural, Josilaine, Tiago e o agronomo da fazenda

Em 2019, construíram um novo espaço de 250 metros quadrados, que foi derrubado pelo vento, mas o reconstruíram. É o local onde trabalham atualmente. “Quando olho para o barracão, relembro como consegui reerguê-lo. Sempre tive fé e sempre acreditei em mim, no meu produto e no que me ensinaram. Hoje, tenho uma vida financeira digna, como eu nunca imaginei e o melhor: como tudo que aprendi foi gratuito, faço projetos sociais porque o ‘universo’ foi tão generoso comigo que preciso retribuir de alguma maneira”.
Entre os projetos, estão arrecadação de fundos para o lar de idosos com venda de bolsas, cafés personalizados para instituição carente e mudas para doação.