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Produtores apostam em gestão no campo

CURSO SENAR MINAS
ESCRITO POR ASCOM
17/09/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Israel Luiz é um dos participantes do curso Gestão Rural na Prática, oferecido pelo Senar. A capacitação incentiva produtores a gerenciar as propriedades como empresas sem deixar de valorizar a história familiar.

“A roça, para mim, é pertencimento”. Dessa forma, o produtor rural Israel Luiz Rodrigues da Rocha define a fazenda que a família tem a cerca de dois quilômetros de Icaraí de Minas. Aos 28 anos, ele segue os passos do pai, José Luiz Mendes da Rocha, de 68. Os dois trabalham com a bovinocultura de leite.

“Antes, as pessoas pensavam que a roça não dava futuro, que quem ficasse ali ia trabalhar apenas para sobreviver. Hoje, a gente sabe que tem a possibilidade de trabalhar e ter uma vida boa, confortável.”

Se quando José Luiz começou, os ensinamentos vinham da lida diária no campo e da troca de informações com outros produtores, atualmente pai e filho buscam conhecimento de forma técnica.

Ao longo dos anos, Israel fez várias capacitações do Senar e é um dos 24 participantes do curso piloto Gestão Rural na Prática. O treinamento, que está sendo realizado pela primeira vez em Minas Gerais, reúne os responsáveis por 20 propriedades voltadas à produção de leite em Icaraí de Minas.

“No início, é difícil mudar, a gente está acostumado a fazer de um jeito e tem uma certa resistência. Mas, conforme vamos aprendendo e vendo que tem resultado, nossa mente vai se abrindo”, fala Israel.

O produtor rural diz que os ensinamentos sobre gestão o fizeram perceber a necessidade de acompanhar e registrar os números relacionados à atividade. Com as mudanças na forma de gerir a fazenda, ele e o pai estão colhendo os resultados.

“As vacas melhoraram a produtividade. Antes, eram necessárias 15 ou 16 vacas para produzir 50 litros de leite. Hoje, alcançamos isso com oito animais.”

Enxergando o campo como um “lugar de pertencimento”, Israel quer continuar transformando a realidade da propriedade com melhoramento genético e aumento da produtividade.

“A roça é qualidade de vida, é meu lugar de pertencimento, é a possibilidade de ficar perto da minha família. Eu escolhi ficar aqui. Ao longo do tempo, o conhecimento que fui adquirindo mostra que a gente não pode parar. Na verdade, precisamos nos atualizar cada vez mais. A caminhada não é fácil, mas os resultados chegam com trabalho e dedicação.”

Sobre o curso 
O curso Gestão Rural na Prática foi dividido em cinco temas centrais e é composto por aulas teóricas, mentorias individuais e visitas às propriedades dos participantes.

A capacitação é um primeiro passo para os interessados em participar do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Criada pelo Senar em 2013, a iniciativa oferece assistência técnica personalizada aos produtores, ajudando na gestão da propriedade e na adoção de boas práticas produtivas.

De acordo com o gerente do escritório regional do Senar Minas em Montes Claros, Luiz Rodolfo Antunes, que abrange Icaraí de Minas, curso Gestão Rural na Prática “une os dois grandes braços de atuação do Sistema Faemg”, que são os cursos de Formação Profissional Rural e a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

“Neste caso, trata-se de um curso de gestão, que traz metodologias de gestão, entendimento de planejamento e elaboração de planos de ação para o produtor rural. Com esse conhecimento, os alunos que ingressarão na ATeG terão uma mobilização mais efetiva e estarão mais preparados para receber a assistência técnica.”

Antes de oferecer o curso, de forma pioneira, para produtores rurais de Icaraí de Minas, o instrutor do Senar, Leonardo Brant, fez um treinamento no Acre. Em Minas Gerais, ele e outros dois colegas, das regiões Central e da Zona da Mata, estão aptos a ministrar o curso.

“A competitividade no mundo aumentou muito. Com isso, é necessário ter a profissionalização dos negócios e, para que isso ocorra, precisamos enxergar todos eles como negócios empresariais. Precisamos ter indicadores de produção e econômicos para definirmos a viabilidade de cada atividade.”

No caso específico dos participantes da turma piloto, Leonardo cita que eles precisam saber, por exemplo, quantos litros de leite uma vaca produz e qual é o custo para se produzir cada litro.

Leonardo destaca que a intenção é que os negócios sejam vistos de forma profissional, independentemente do tamanho, e que os proprietários tenham suas histórias familiares respeitadas.

“Na turma, 70% dos participantes são sucessores em suas atividades, e esse é um assunto abordado nas capacitações do Senar. Nos treinamentos, chamamos atenção para a importância de uma relação transparente e de diálogo entre os familiares, assim como para a importância da inserção gradual dos sucessores na atividade.”

Com o aprimoramento da gestão, as atividades podem se tornar ainda mais produtivas e rentáveis, despertando o interesse dos sucessores que, antes, poderiam optar por deixar o meio rural.

“Queremos que o produtor saia do campo do ‘eu acho’ para o campo do ‘eu sei’. Por isso, o instruímos a olhar para sua propriedade com base em registros, controle e números. O intuito é que ele também tenha compromisso com a ação, de colocar o conhecimento aprendido na prática.”