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Com saúde em dia, produtores garantem melhores condições de trabalho

TELEMEDICINA
ESCRITO POR IZABELLA MACHADO, DE ARAÇUAÍ; E RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
28/07/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR

O serviço de telemedicina, ofertado no semiárido mineiro pelo Projeto AgroNordeste II, tem garantido aos produtores rurais acessibilidade e saúde para produzir com tranquilidade. O AgroNordeste II é uma iniciativa do Programa de Assistência Técnica e Gerencial – ATeG do Sistema Faemg Senar.

Em Gameleiras, no Norte de Minas, o atendimento foi importante para que Anivaldo Prado Nunes, produtor de gado corte, conseguisse seguir trabalhando sem dores. Ele tratou, de forma precoce, os sintomas da chikungunya. As fortes dores no corpo estavam atrapalhando o dia a dia do trabalho. “O técnico do ATeG instruiu sobre o serviço de telemedicina, e fui atendido no dia seguinte. A médica me indicou medicamentos, melhorei e não precisei sair da fazenda para ir ao posto de saúde da cidade. Fiz a consulta aqui em casa, tomando um café”, relata o produtor.

Anivaldo Prado Nunes, de Gameleiras

O produtor administra a Fazenda Caiçara, seguindo a tradição da família na atuação com a pecuária. São mais de 100 animais de corte, além de outras 30 vacas de leite e pequenos plantios, como feijão e milho. Ou seja, um trabalho diário que não para e, por isso, não pode ter brecha para uma queda na condição de saúde.

“O tempo da fazenda é muito valioso. As vezes a gente planeja uma folga, mas aí acontece algum imprevisto e não posso sair, nem para uma consulta médica. O homem do campo é essencial; 100% de importância está aqui, no campo. A gente está meio longe de um acesso fácil à saúde, e o telemedicina ajuda nisso. Fiz tudo online e fiquei liberado para o meu dia a dia de trabalho. Este serviço é essencial”, opina Anivaldo.

Como funciona

Iniciativa do Senar Central, o atendimento por telemedicina funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia, com clínicos gerais e médicos da família à disposição dos produtores rurais para consultas e orientações. O agendamento pode ser feito pelo telefone 0800, pelo aplicativo da empresa responsável ou pelo WhatsApp. O link da consulta é acessado pela plataforma da empresa prestadora do atendimento de forma rápida e fácil, o que representa mais uma comodidade para os produtores.

O coordenador do Projeto AgroNordeste II no Sistema Faemg Senar, o analista técnico Wender Guedes Borges, classifica como uma iniciativa valiosa o serviço de telemedicina.  "Com esse serviço, eles têm a oportunidade de acessar consultas online, agendadas em dias e horários mais convenientes para eles. E o serviço ainda se estende a quatro dependentes dos produtores cadastrados no projeto, além dos técnicos de campo que atuam na prestação de serviços de ATeG. É qualidade de vida apara as comunidades rurais", explica.

“A gente se preocupa com o homem, a mulher, e a família do campo, em todos os aspectos. É impossível uma propriedade ir bem quando essa estrutura vai mal”, afirma o gerente regional do Sistema Faemg em Araçuaí, Luiz Rodolfo Antunes Quaresma. A telemedicina elimina um dos gargalos do público, que é a distância. “Disponibilizar serviços de saúde mental e física, mesmo quando médico e paciente não estão no mesmo local, pode eliminar muitos problemas e acelerar o crescimento da propriedade. Estamos felizes com o sucesso da empreitada”, afirma o gerente.

Com a ajuda do técnico, Anivaldo fez o cadastro na plataforma

Saúde para trabalhar 

A rotina começa bem cedinho para Adivaldo Oliveira, quase sempre antes do sol aparecer por trás das montanhas da Fazenda Várzea das Pedras, em Pai Pedro, Norte de Minas. Produtor de leite, ele fabrica cerca de 40 queijos por dia, que ganham mercado Brasil a fora e são o principal sustento da família. Porém, meses atrás o serviço quase foi interrompido e, por pouco, não prejudicou a rotina de produção. Adivaldo sentiu fortes dores abdominais, mas logo correu atrás do técnico de campo do ATeG para agendar a consulta com o serviço de telemedicina.

“A dor estava incomodando no trabalho. Fiz o atendimento e a médica me passou antiinflamatórios, e disse que, se não melhorasse, iria precisar de ultrassom. Mas, graças a Deus, o atendimento primário resolveu. Foi importante, porque colocar outra pessoa para cuidar do trabalho com leite pode afetar a produtividade e a qualidade, e para recuperar depois é muito difícil. Seria um prejuízo se eu tivesse saído para consultar fora e perder um dia de trabalho”, comenta.

Assistido pelo ATeG, o produtor tem garantido uma evolução grande nos últimos meses de trabalho. O ânimo extra somado à boa condição de saúde são as receitas para seguir crescendo na atividade, e ele indica aos demais produtores essa atenção rotineira.

“Sem saúde não conseguimos trabalhar e fazer nada da rotina da fazenda. Este serviço chegar até o produtor é muito bom, porque não precisamos sair da propriedade. Se cada produtor tivesse esse atendimento, a saúde dele era outra. Muitos estão doentes, precisando consultar, mas não fazem porque não podem deixar o serviço na roça. Ficam aguentando a doença, até que o corpo não suporta e é preciso largar tudo para consultar na cidade”, argumenta Adivaldo Prado.

Adivaldo Oliveira aprovou a telemedicina

Sem filas e com qualidade

Produtor rural de Caraí, Wesley José de Paula também é atendido pelo Projeto AgroNordeste II. Ele e o filho foram atendidos via telemedicina. Wesley garante que, para a saúde do homem, o tipo de atendimento favorece a tomada de decisão, pois “normalmente, o homem não preocupa com a saúde e só procura o atendimento quando alguma doença já está avançada”.

Além disso, Wesley ressalta que o serviço pode ser um apoio à saúde pública. “A telemedicina serve para filtrar. O médico, além de realizar a consulta, pode orientar se o paciente deve procurar o serviço de emergência ou um especialista. Muitas consultas não necessitam de exames e nem toque. Ter isso em mente pode contribuir para tirar o peso do hospital público, constrangimentos e, claro, filas”.

“Conheci a telemedicina por meio do técnico de campo e cadastrei a minha família. A marcação da consulta foi muito rápida e praticamente não houve espera para o atendimento. A disponibilidade de horário foi interessante e, para a gente, que é produtor, é muito válido porque adianta a burocracia”, completa a produtora Ana Caroline Ribeiro, que garante a eficiência do atendimento mesmo sem o “toque do médico”. “A experiência do profissional que me atendeu, os detalhes coletados durante o atendimento e o feedback após a consulta me deram segurança. Eu recomendo!”, elogia.

Veja mais depoimentos:

AgroNordeste

O projeto é voltado para pequenos e médios produtores das classes D e E do semiárido de Minas Gerais, contemplando 91 municípios do Norte de Minas e Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. A expectativa é atender 1,5 mil propriedades, que, ao final, terão recebido um total de 36 mil visitas técnicas. São sete atividades contempladas: apicultura, avicultura, bovinocultura de corte e de leite, cafeicultura, fruticultura e olericultura.