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Regulamento amplia mercado do queijo artesanal

QUEIJO ARTESANAL DE MINAS
ESCRITO POR NATHÁLIA FERREIRA DE BELO HORIZONTE
31/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

São Pedro do Suaçuí, no leste de Minas Gerais, passa por um marco para a valorização da produção regional e para o fortalecimento da cadeia produtiva local. Foi lançado o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí no dia 30 de março. A iniciativa estabelece diretrizes que garantem a padronização da receita, a formalização da produção e a adoção e a comercialização em todo território nacional.

Para o presidente da Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal do Sistema Faemg Senar, Frank Mourão Barroso, a regulamentação representa uma conquista histórica para a região.

“Celebramos mais uma conquista do Sistema Faemg Senar e dos Sindicatos dos Produtores Rurais, junto ao Governo de Minas, que reconheceu, certificou e regulamentou a qualidade e a identidade do queijo artesanal produzido no Vale do Suaçuí, contemplando sete municípios. Essa é uma demanda antiga dos produtores, agora reconhecida em uma microrregião tão importante para o estado”, afirmou.

A região do Vale do Suaçuí, reconhecida pela produção de queijo artesanal, é composta por sete municípios: Água Boa, Frei Lagonegro, José Raydan, Santa Maria do Suaçuí, São José do Jacuri, São Pedro do Suaçuí e São Sebastião do Maranhão.
 

O lançamento do RTIQ representa um avanço estratégico para ampliar a competitividade do queijo artesanal do Vale do Suaçuí, agregando valor ao produto e abrindo novas oportunidades de mercado, ao mesmo tempo em que preserva a tradição e a identidade regional.

Barroso também destacou os impactos diretos para os produtores e para o mercado. “O regulamento foi comemorado pelos produtores por permitir a comercialização legal para outras regiões e estados. É uma conquista coletiva, que fortalece o desenvolvimento e a sustentabilidade da produção agropecuária em Minas Gerais. Além disso, o Sistema Faemg Senar e os Sindicatos já atuam na segunda turma de assistência técnica para agroindústrias de queijarias, atendendo mais de 50 propriedades, o que amplia a regularização e a qualidade dos produtos”, completou.

Durante a solenidade, estiveram presentes o presidente da Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal do Sistema Faemg Senar, Frank Mourão Barroso; o subsecretário de Política e Economia Agropecuária, Gilson de Assis Sales; o diretor-técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Almeida Santos Duch; o diretor-presidente da Emater-MG, Otávio Martins Maia; e o Professor e Pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais / Instituto de Laticínios Cândido Tostes (EPAMIG/ILCT),Paulo Henrique Costa Paiva.

O evento reuniu produtores, pesquisadores e representantes de instituições do setor, promovendo o diálogo sobre os avanços da cadeia produtiva e reforçando o reconhecimento do queijo do Vale do Suaçuí como um importante patrimônio agroalimentar de Minas Gerais. Essa foi uma iniciativa conduzida pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com Emater-MG, Epamig, Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a Prefeitura Municipal.
 


A regulamentação
Com a regulamentação, o Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí passa a ter autorização para comercialização em todo o território nacional, desde que os produtores atendam às exigências sanitárias, como registro no Ministério da Agricultura, obtenção do Selo Queijo Artesanal ou adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI).

A normativa também contribui para preservar as características tradicionais do produto, cuja massa passa por processo de cozimento a temperaturas de até 45 °C, resultando em consistência semidura e atributos semelhantes aos de queijos do tipo parmesão.

A expectativa é que cerca de 200 produtores sejam beneficiados diretamente com a regulamentação, fortalecendo a produção formal em uma região que conta com 66 agroindústrias e produção anual superior a 678 toneladas, com predominância da agricultura familiar.

A construção do regulamento foi resultado de um trabalho técnico conjunto entre Seapa, Emater-MG, IMA e Epamig, com base em estudos de caracterização e no registro dos modos tradicionais de produção. O processo contou ainda com a participação de produtores, contribuições da Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal do Sistema Faemg Senar e apoio de técnicos do ATeG, buscando equilibrar tradição e critérios técnicos que asseguram qualidade e segurança ao produto.

Avanço
Segundo a analista técnica da Gerência de Formação Profissional Rural e Promoção Social do Sistema Faemg Senar, Marília Saraiva Pereira, a regulamentação representa um avanço importante ao transformar em norma um modo de fazer tradicional, além de ampliar as oportunidades para os produtores. 
“O regulamento valoriza a origem do queijo, garante mais segurança para a regularização e abre caminhos para o acesso a novos mercados, fortalecendo toda a cadeia produtiva”, destaca.