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Crise do leite aumenta venda de matrizes em leilões no Triângulo

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR JULIANA FIDELIS, DE UBERABA
20/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Eventos da região chegam a ter 25% de matrizes desde o início de janeiro

Leilões no Triângulo Mineiro registraram um aumento no número de matrizes para comercialização. Desde o início do ano, os eventos semanais promovidos para compra e venda de gado têm apresentado mais matrizes, chegando a 25% do total de animais disponíveis.

“Era comum ter de 5% a 10% de matrizes, mas eram animais em fase final de produção e que iriam para o descarte. Hoje, estamos vendo vacas que ainda ficariam de 2 a 3 anos em processo de lactação sendo comercializadas”, afirma o presidente do Núcleo dos SPRs do Triângulo e Alto Paranaíba, Osny Zago.

Para ele, é muito impactante, pois prejudica o projeto de vida do produtor. “Uma vaca que ele comprou por cerca de R$ 8 mil, investindo em genética, agora está vendendo a R$ 3 mil ou R$ 4 mil, uma perda de 50% do valor. Comprou o animal para uma finalidade e está vendendo por outra, em virtude da falta de política e de incentivos para manter o produtor no campo”.

O pecuarista de corte e leite, Abel Fêlix, de Sacramento, está se desfazendo do gado de leite. “Recebi R$ 1,55 pelo litro de leite. Este valor não cobre os meus custos nem de nenhum produtor. Por isso, abri mão de grande parte do meu rebanho leiteiro. Conheço produtores que se desfizeram de todo o seu plantel nos leilões. Infelizmente, esta é a situação dos produtores da região”.

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