Conhecido pela força da agricultura familiar e por um clima que desafia quem vive da terra, o Vale do Jequitinhonha começa a escrever um novo capítulo na cafeicultura mineira. Entre altitudes, sol forte e a escassez de água, produtores da região vêm provando que é possível colher grãos de alta qualidade, e o reconhecimento em concursos confirma o potencial de um território até então pouco lembrado no mapa dos cafés especiais.
Em Divisópolis, a produtora Eliene Silveira Dias é um retrato dessa virada. Amparada pela assistência técnica e gerencial do ATeG, ela enfrenta as adversidades do campo com o suporte de quem entende do assunto. "Para nós, lidar aqui na agricultura é muito difícil, até pela situação climática, com imprevistos por falta de água e sol prolongado. Mas temos uma qualificação, porque temos um profissional muito bom que nos atende", conta.

O cuidado rendeu frutos. Em 2025, a lavoura de Eliene conquistou o primeiro lugar na categoria café natural no Cupping de Cafés Especiais do ATeG Café + Forte promovido pelo Sistema Faemg Senar, um resultado que, para ela, ainda parece surpreendente. "Jamais podia imaginar que chegaríamos tão longe, mas tivemos o incentivo do profissional que nos atende. Ele me chamou para esse desafio, eu topei e, graças a Deus, deu certo", celebra. Animada, ela já mira o próximo concurso, agora com qualidade ainda melhor.
O profissional que acompanha a produtora é o técnico de campo do ATeG Welisson Barbosa. Para ele, cada premiação vai muito além de um troféu: é a prova viva de que a região tem vocação para cafés especiais. "Conseguimos mostrar para os outros produtores, os atendidos pelo ATeG e para os vizinhos, que a região tem potencial para fazer um café melhor. Isso dá uma visibilidade maior, e quem está de fora começa a ver que a nossa região está despontando", afirma.
Segundo Welisson, o reconhecimento movimenta toda uma cadeia. "Há a valorização das terras, porque já se conhece esse potencial, e o ganho no manejo, porque o produtor passa a investir mais, procurar novas tecnologias e participar de mais cursos. Cada vez ele quer aprender mais para melhorar e concorrer. É um salto que a região dá quando conquista uma premiação assim."
Padre Paraíso na mesma rota
A percepção se repete em outros municípios do Vale. Em Padre Paraíso, o produtor Acrísio Pereira, que venceu a categoria Cereja Descascado no Cupping do ATeG Café + Forte, enxerga no reconhecimento um efeito que se espalha por toda a comunidade cafeeira. "A importância desse reconhecimento é conhecer a nossa região, saber que ela tem potencial, que todos os produtores conseguem fazer um café de qualidade superior, um café especial", avalia.

Para Acrísio, o prêmio impulsiona investimento e conhecimento. "O produtor acaba investindo mais em tecnologia, buscando mais recursos, avançando no conhecimento sobre colheita e pós-colheita para melhorar ainda mais a qualidade. E há a valorização das terras, porque sabemos que a região é propícia para cafés especiais", explica. Ele acredita que a visibilidade atrai novos olhares de fora. "Isso traz novos investidores. É um crescimento contínuo da região a cada reconhecimento que a gente conquista."
Neste mês, o projeto “Meu Café no Sistema Faemg Senar”, que valoriza o melhor da produção cafeeira de Minas Gerais, está servindo um blend de amostras de alta qualidade recebidas para avaliação no Cupping, reforçando a visibilidade e o potencial dos cafés especiais produzidos em regiões como o Vale do Jequitinhonha.