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Gestão eficiente ajuda a enfrentar crise em Abadia dos Dourados 

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR LETÍCIA RODRIGUES, DE PATOS DE MINAS
20/03/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Em um momento delicado para a cadeia produtiva do leite no Brasil, marcado por queda no preço pago ao produtor e margens cada vez mais apertadas, um exemplo de Abadia dos Dourados mostra que a gestão pode ser determinante para manter a atividade viável. Atendido pelo Programa ATeG Balde Cheio, Denis Daniel Resende reorganizou a produção na Fazenda Melodia/Monte Alvão e conseguiu transformar desafios em resultados concretos.

Denis Daniel reorganizou a fazenda com orientações do técnico

Quando o acompanhamento técnico começou, o custo de produção estava elevado e comprometia a rentabilidade da propriedade. A partir das orientações recebidas, a família decidiu investir em mudanças estruturais e estratégicas. Foi adquirida uma nova área com recursos do crédito rural e venda de animais, ampliando a propriedade para 13 hectares, foram implantados 28 piquetes em 1,75 hectares de pastejo e realizado o manejo adequado do solo, com correção de acidez e adubações.

A intensificação das pastagens reduziu significativamente o uso de silagem e o custo com alimentação. O custo por litro caiu de R$ 2,37 para R$ 1,93. Mesmo com redução no volume total produzido em função da venda de alguns animais para viabilizar o investimento, a produção média por vaca aumentou de 8,6 para 9,7 litros por dia. A lucratividade saltou de 7% em 2024 para 32,9% em 2025.

“O leite abaixou muito de preço e achamos que teríamos prejuízo, mas com as melhorias conseguimos diminuir o custo de produção e continuar na atividade, que é minha única fonte de renda”, relata Denis.

Além das melhorias no manejo, a propriedade também deixou de utilizar tanque comunitário, reduzindo perdas por penalizações de qualidade, e eliminou gastos com aluguel de pasto. Somadas, as economias diretas alcançam quase R$ 28 mil ao ano.

Para o técnico do ATeG, Pedro Paulo, o caso demonstra como decisões estratégicas fazem diferença. “É um exemplo claro de como a boa gestão ajuda o produtor a atravessar momentos de crise. Eles fizeram investimentos com risco calculado, reduziram custos no manejo e mantiveram a atividade rentável mesmo em um cenário adverso".

O contexto regional reforça essa necessidade de profissionalização. Segundo o supervisor do ATeG, Hugo Ribeiro, a crise tem impactado fortemente produtores do Noroeste e do Alto Paranaíba. “A queda no preço do leite e os custos pressionados exigem eficiência. Quem controla indicadores, acompanha despesas e trata a fazenda como empresa consegue enfrentar o momento com mais segurança".

Mesmo diante dos desafios, a experiência da família demonstra que planejamento, gestão e assistência técnica podem fortalecer a atividade e preparar a propriedade para um futuro mais estável e competitivo.

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