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Live destaca ações em defesa do agro e diálogo com parlamentares

UNIÃO
ESCRITO POR JANAINA ROCHIDO, DE BELO HORIZONTE
13/01/2023 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, FAEMG

A diretoria do Sistema Faemg realizou uma live direcionada a presidentes de Sindicatos de Produtores Rurais mineiros para falar sobre o cenário político neste início de ano.  Cerca de 100 pessoas participaram da transmissão, na tarde desta sexta-feira (13/1), que também apresentou o projeto de Relações Institucionais e Governamentais da entidade para ampliar a organização e assertividade na interlocução com os parlamentares em defesa dos pleitos do agro em Minas Gerais.

Ebinho Bernardes, Antônio de Salvo e Renato Laguardia

O presidente Antônio Pitangui de Salvo disse que, apesar do resultado das eleições ter sido diferente do esperado pela classe rural, Minas Gerais está bem representada com o governador Romeu Zema e os senadores, deputados federais e estaduais eleitos. “Sabemos das dificuldades, mas temos hoje uma linha muito mais aberta com vários parlamentares que sabem dos nossos pleitos e sabem que o Sistema precisa ser ouvido para que o agro mineiro continue avançando”.

“Sempre fomos ordeiros, sempre mostramos protagonismo em melhorar nossas atividades trabalhando de forma séria, treinando e capacitando nossa mão de obra, atendendo mais de 20 mil propriedades com assistência técnica e gerencial. Estamos fazendo a nossa parte com o que o mundo exige dos nossos produtores. Não comungamos com nenhuma ação ilegal”, reforçou Antônio de Salvo.

Foco nos interesses do setor

Antônio de Salvo disse que o momento é de focar na aproximação com outras entidades, federações e cooperativas, e em questões específicas do agronegócio. Isso inclui posicionamentos firmes sobre as demandas dos produtores e em tomar atitudes que já estejam ao alcance da classe. “Precisamos trabalhar com inteligência frente às dificuldades que podem vir e às dúvidas que pairam agora. Precisamos ter um diálogo aberto com os parlamentares que apoiam o agro para que eles saibam que também estamos prontos a apoiá-los. E temos que caminhar junto com o governo do Estado mostrando nosso apoio para desenvolver Minas. Podemos fazer isso agora, promovendo encontros para dizer que estamos aqui de forma ordeira, gerando divisas e segurança alimentar para toda a população”, disse.

O presidente do Sistema Faemg também trouxe a preocupação do setor produtivo com os desmembramentos dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que perdeu a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e originou as pastas do Desenvolvimento Agrário e da Pesca e Aquicultura. Para ele, as mudanças enfraquecem o setor por fragmentarem as negociações com outras pastas. Antônio de Salvo comentou sobre a interlocução do Ministério do Meio Ambiente, que pode sofrer prejuízos se questões ideológicas sobrepuserem às técnicas. “Poucas pessoas sabem que temos 66,3% de área preservada como um todo e Minas é o estado que mais preserva, com mais de 35% território intacto, até mais do que a lei exige. Então precisamos ficar muito atentos para não sofrermos sanções que inviabilizem a produção e o desenvolvimento”.

Para o vice-presidente de Secretaria do Sistema Faemg, Ebinho Bernardes, este é um momento muito importante para a federação e os sindicatos. “Tudo se resume a união. Mais do que nunca, precisamos estar unidos – o produtor participando do Sindicato, o Sindicato alinhado com a federação, a federação com a confederação, e todos atentos ao setor político”, opinou. “Cada vez mais, as entidades estão unidas em prol do setor, dos produtores, e da sobrevivência do Sistema. Que possamos continuar juntos na nossa empreitada para trabalhar em prol dos sindicatos e produtores”, finalizou o vice-presidente de Finanças da entidade, Renato Laguardia.

Diversos gestores participaram da transmissão

Oposição inteligente

Na visão do diretor técnico do Sistema Faemg, Christiano Nascif, estamos retornando a um cenário em que o agronegócio é forte e tem protagonismo. Mesmo assim, ele alerta que o setor permanecerá atento e combativo. “Se vamos fazer oposição, vamos fazer de forma inteligente. Para isso, precisamos ficar unidos e ver que o momento é de olhar para o nosso setor e não deixar passar despercebido outras questões do nosso interesse. Temos que continuar gerando receitas, empregos, pagando impostos, porque é com esse papel que conseguiremos defender nossos interesses”.

A federação também chamou a atenção para as mudanças na legislação, comuns a todo início de novo governo. O assessor Jurídico da Faemg, Francisco Simões, pediu atenção a invasões e organizações nesse sentido e disse que o Sistema Faemg está à disposição para orientar sobre essas ocorrências. “Algumas leis precisam ser adequadas. Tivemos diversas Medidas Provisórias [MPs] que vão requerer emendas e precisamos do apoio dos deputados para que essas MPs não se consumem. Precisamos que a legislação seja equilibrada para todos nós e precisamos dos sindicatos para ficar atentos à atuação dos deputados”.

Relações Institucionais e Governamentais

A reunião virtual também apresentou aos participantes o projeto de Relações Institucionais e Governamentais – RIG, iniciativa da Superintendência de Relações Institucionais da casa. O consultor Fábio Caldeira explicou que a iniciativa visa tornar a Faemg uma entidade com um sistema robusto e eficiente de relações institucionais. “Independentemente do cenário político, relações governamentais são fundamentais. As pautas no congresso são inúmeras, então, entidades que estão fortes e organizadas conseguem destaque nesse atendimento”, disse.

O RIG surgiu da percepção da importância de haver um diálogo melhor com os representantes políticos e fazer política classista, “saber o melhor momento para entregar aos parlamentares os pleitos do nosso setor. Ninguém vai resolver as coisas por nós, nós é que precisamos entender a nossa função e resolver”, afirmou Caldeira.

“Precisamos ter uma atuação não só reativa, mas também propositiva, aproveitando sugestões dos produtores para estarmos junto ao governo para a formulação de políticas públicas”, argumentou. Para Fábio Caldeira, o cenário atual torna isso ainda mais estratégico e importante. “Somos um setor pujante da economia e, com o apoio dos poderes Legislativo e Executivo e as devidas pontes com o governo federal, o setor será fortalecido no nosso estado”.

Palavra aberta

“Temos que nos voltar bastante para o alinhamento com o governo estadual e nos aproximar dos deputados estaduais, que são o caminho para que a gente possa resolver os problemas do setor. Isso já está bem próximo com a criação do projeto RIG. Isso é muito importante para que possamos criar força e mostrar aos representantes políticos o nosso valor” – José Avelino Neto, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros

“O trabalho do agro é infinito e continua, independente do governo. A partir do momento em que tiramos o foco da política partidária e focamos na representação de classe, as coisas avançam bastante. Temos que continuar trabalhando e acho que essas reuniões são fáceis de participar e nos ajudam a se posicionar em conjunto, sabendo das nossas responsabilidade e limites” – Jerônimo Giacchetta, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Cabo Verde

“Acho que o caminho que temos que tomar é esse. Precisamos articular e acho que precisamos colocar nas mãos dos nossos deputados dois assuntos prioritários: meio ambiente e tributário. Nos outros assuntos, temos que estar juntos com a federação, compreender e articular, mesmo que seja com políticos que não são do nosso alinhamento” – Domingos Inácio Salgado, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Cássia

“Vamos fazer o que está nas nossas mãos, aquilo que podemos fazer a diferença. Hoje temos uma melhor estrutura, mais conhecimento, mais organização, e estamos à frente do passado. Estamos atentos aos deputados eleitos aqui na nossa região, estamos acompanhando-os de perto” – Paulo Tolentino Pereira, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Presidente Olegário

“Precisamos realmente nos unir e nos posicionar frente às nossas demandas. Essa mobilização com os políticos e o governador deve ser bem elaborada e precisamos de mais presidentes de sindicatos apoiando e fazendo esse trabalho novo com o Fábio Caldeira, pois precisamos chegar ao governador” - Carlos Márcio Guapo, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Campo Florido

“Precisamos trabalhar com inteligência. Elegemos deputados que vão nos representar, trabalhamos muito para isso nas eleições. O governo vai precisar de nós, o mundo precisa, então precisamos fazer oposição com inteligência. Queria sugerir para fazermos essa live sobre o cenário político uma vez por mês, mobilizar mais presidentes e incluir os produtores e a própria equipe dos sindicatos, acredito que é muito importante. Não podemos ‘declarar guerra’ por estarmos em um momento difícil, mas fazer uma oposição vigilante e com inteligência nós podemos” – Paulo Ribeiro Filho, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paracatu

“Temos um governador íntegro e capaz, o que nos ampara das ameaças ao nosso setor. E temos uma diretoria muito capacitada e ponderada – e isso não significa que a federação está acomodada, pois essa moderação é uma atitude para vencer que muito nos fortalece. E faço um apelo aos presidentes de sindicatos para procurarem os produtores e contar que temos conhecimento da situação do agro e que é importantíssimo que estejamos unidos para fortalecer a federação e o agronegócio mineiro” – Ornelas Rodrigues Borba, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Conceição da Aparecida