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No ritmo da ordenha produtora reconstrói a vida no campo

MULHERES QUE INSPIRAM
ESCRITO POR JÔ MOREIRA DE SETE LAGOAS
26/05/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, INAES, FAEMG

Na zona rural de Curvelo, a rotina da Fazenda Cachoeira do Maquiné carrega mais do que números de produção, entre ordenhas, manejo do gado e decisões diárias, a produtora Denise Martins do Rego Lopes vem reconstruindo sua vida, usando a terra como ponto de apoio e o leite como caminho.

Filha do agro, Denise cresceu na fazenda, cercada pela lida no campo. Ainda assim, foi na educação que construiu sua trajetória profissional, atuando por mais de 20 anos como diretora de uma escola na zona rural. O retorno definitivo à propriedade aconteceu em 2017, ao lado da família, mas pouco tempo depois, uma sequência de perdas pessoais mudou completamente sua realidade. O falecimento dos filhos, o agravamento da saúde do marido, que também faleceu em 2024, e a perda da mãe transformaram a fazenda em um espaço de recomeços.

Foi nesse cenário que a atividade leiteira ganhou novo significado. “Era minha urgência manter o leite. Eu precisava das pessoas ali comigo”, relembra. Mais do que uma decisão produtiva, o leite passou a representar movimento, presença e continuidade. Sem domínio técnico completo no início, Denise assumiu a gestão da propriedade e passou a aprender na prática: ajustou a alimentação do rebanho, reorganizou processos e intensificou o acompanhamento da rotina da fazenda. “Aprendi fazendo”, lembra.

Um dos pontos de virada na propriedade foi o aumento da produção de volumoso. A ampliação das áreas destinadas ao silo também trouxe mais autonomia alimentar, garantindo segurança durante os períodos de seca e reduzindo custos com insumos externos. “Com o volumoso garantido, a gente consegue manter o padrão da alimentação e trabalhar com mais tranquilidade. Isso fez diferença na produção”, explica.

Mais esperança e sustentabilidade na atividade 
Atualmente, a fazenda conta com cerca de 30 vacas em lactação, com produção média de 500 litros de leite por dia, além de animais em recria e vacas secas. Mas, para a produtora, mais do que ampliar o volume, a prioridade é o cuidado com a qualidade e a constância da produção. E é nesse momento, de mais relacionamento com o campo, que outro marco para ajudar a impulsionar essa fase da trajetória da produtora que surge uma nova etapa: a chegada do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar. Para ela, o programa representa a oportunidade de avançar ainda mais na gestão e na eficiência da atividade. “Eu vejo o ATeG como o que faltava para aprimorar o que venho construindo com muita observação e cuidado. Agora é hora de organizar melhor e fazer os ajustes necessários em cada etapa do processo”, afirma.

A expectativa é que, com o acompanhamento técnico, a propriedade avance em gestão, produtividade e planejamento, sem perder aquilo que, para Denise, se tornou essencial ao longo da caminhada: a presença constante, o cuidado diário e a capacidade de recomeçar. “Todo dia é um recomeço. Tem problema, tem dificuldade, mas também tem solução. A gente vai aprendendo e seguindo mais firmes”.