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Residência prepara profissionais para os desafios do campo

PROGRAMA ATEG
ESCRITO POR FERNANDA TEIXEIRA, DE BELO HORIZONTE
20/08/2026 . SISTEMA FAEMG, SENAR
Residentes participaram de 960 horas de atividades, conciliando capacitação teórica, vivência em propriedades rurais e acompanhamento das ações do Programa ATeG

O Sistema Faemg Senar promoveu, nesta quinta-feira (20), o encontro de encerramento do Programa de Residência Agropecuária, iniciativa do Senar Central voltada à formação prática de profissionais das Ciências Agrárias. Ao longo de seis meses, de fevereiro a julho de 2026, dez residentes participaram de 960 horas de atividades, conciliando capacitação teórica, vivência em propriedades rurais e acompanhamento das ações do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

Para o superintendente do Senar Minas, Celso Furtado Júnior, a parceria foi além da formação técnica. “Ficou muito claro, ao ouvir as apresentações dos residentes, que os participantes não apenas absorveram os objetivos do projeto, mas foram além e internalizaram essa proposta de transformação. Técnica, gestão e relacionamento são três pilares fundamentais na atuação profissional: não basta ter conhecimento, é preciso saber se relacionar, compreender a realidade de cada produtor e enxergar a propriedade como um negócio”, afirmou.

Patrick Brauner, vice-presidente de Secretaria, com Celso Furtado Júnior, superintendente do Senar Minas

O Residência Agropecuária busca aproximar os profissionais da realidade do atendimento ao produtor rural e prepará-los para os desafios da atuação no campo. Os participantes acompanharam visitas técnicas, supervisões, análises de indicadores produtivos e gerenciais, além de capacitações metodológicas e cursos complementares. Também tiveram contato com sistema utilizado para monitorar os resultados das propriedades assistidas.

O supervisor técnico Ícaro Nogueira, que acompanhou parte dos residentes, destacou o avanço dos participantes ao longo do programa. “Foi um aprendizado muito grande para mim e para eles. Foi muito nítida a evolução técnica, o conhecimento teórico que foi para o campo e eles conseguiram executar, além da confiança para conversar com o produtor e fazer uma orientação bem-sucedida. Também houve melhora em questões comportamentais, como postura e oratória”, avaliou.

Resultados comprovados

Em Minas Gerais, o programa resultou em mais de 740 visitas a propriedades, em 137 municípios, envolvendo dez cadeias produtivas e 34 entidades cooperadas. Mais de 46 profissionais de campo, entre técnicos e supervisores, também participaram da formação dos residentes. Distribuídos entre as áreas de produção vegetal, produção animal e agroindústria, os participantes tiveram contato com diferentes realidades produtivas.

De acordo com a analista de ATeG, Paula Lobato, a rotina dos residentes incluiu atividades práticas relacionadas ao manejo e à produção, como planejamento de volumosos, técnicas de amostragem, implantação de culturas, irrigação, nutrição, boas práticas de fabricação, manejo de cria e recria, controle de pragas, manejo sanitário e regulagem de implementos.

Programa resultou em mais de 740 visitas a propriedades, em 137 municípios, envolvendo dez cadeias produtivas

A formação também contemplou a gestão das propriedades. Os participantes realizaram mais de 1,3 mil análises de inconsistências de receitas e despesas registradas no sistema, em diferentes cadeias produtivas. A atividade contribuiu para o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura de indicadores, análise de dados, organização das informações e compreensão dos resultados econômicos das propriedades. Também foram realizados mais de 100 cursos, distribuídos em 45 temas.

Vivência com o produtor

Para Ana Luiza Paiva, médica-veterinária e uma das residentes, a experiência permitiu colocar em prática conhecimentos adquiridos durante a graduação. “Meu principal aprendizado foi ter contato direto com o produtor e conseguir aplicar as técnicas que aprendi na graduação. Foi muito bom poder levar esse conhecimento para a realidade do campo”, relatou.

Ana Luiza Paiva, médica-veterinária e uma das residentes

Já para o engenheiro agrônomo Aquiles Vinícius Lima, que participou anteriormente do programa Jornada ATeG e depois ingressou na Residência Agropecuária, o principal aprendizado foi a capacidade de adaptação. “O meu maior aprendizado foi também o meu maior desafio: adaptar a realidade técnica que a gente vive à realidade do produtor. Eu levo isso para a minha carreira e para a minha vida pessoal. E minha principal conquista foi conseguir ser contratado como técnico do ATeG”, destacou.

O engenheiro agrônomo Aquiles Vinícius Lima concluiu a residência e foi contratado como técnico de campo do ATeG

Preparação para o mercado

Ao longo dos seis meses, as avaliações realizadas por técnicos e supervisores apontaram evolução no desempenho dos participantes. Para o diretor adjunto de ATeG do Senar Nacional, Adriano Pontes, a formação contribui para qualificar a assistência técnica oferecida aos produtores.

“Concluímos a turma de residência com grandes expectativas para o percurso profissional que eles têm pela frente. Estamos investindo na formação desses profissionais para melhorar a qualidade da atuação do ATeG junto ao produtor rural e contribuir para o desenvolvimento da produção nas regiões, no estado e no país”, afirmou.

Diretor adjunto de ATeG do Senar Nacional, Adriano Pontes