Nas Montanhas de Minas, a produção de cafés especiais é conhecida por ser naturalmente artesanal e pela predominância da agricultura familiar. Os cafés são adocicados, com diversidade de sabores cítricos, caramelados e achocolatados. Neste mês, esses sabores serão servidos no Programa Meu Café no Sistema Faemg em um blend com os melhores cafés da região selecionados no 9° Cupping do ATeG, em 2025.

A qualidade dos cafés da região se traduz em inúmeras conquistas em importantes concursos de qualidade nacionais e internacionais, resultado da combinação de tradição, dedicação dos produtores e profissionalização da atividade com apoio do Sistema Faemg Senar.
O município de Araponga é um dos que se destaca pela alta qualidade dos grãos produzidos e pela presença no topo de concursos. O casal de produtores rurais Carlos Martins e Stéfane Martins é um exemplo dessa potência. Dedicados à produção de especiais desde 2018, eles são premiados em concursos regionais desde 2022.
Em 2025, conquistaram o primeiro lugar na categoria Arábica Natural do Cupping do ATeG Café+Forte, o quinto lugar no Green Gold Coffee, primeiro concurso brasileiro voltado para cafés produzidos sem agrotóxicos e figuraram entre os 150 melhores cafés do Brasil no Coffee of the Year. “Somos os primeiros da família a produzir café especial e queremos deixar esse legado para nossos filhos. Os prêmios são o reconhecimento de um trabalho feito com muito amor", celebra Stéfane Martins.
Carlos destaca que o acompanhamento do ATeG Café+Forte foi decisivo para transformar o potencial da propriedade em reconhecimento nacional. "O ATeG trouxe a chance de mostrar nosso trabalho para o mundo. É um sonho ter minha marca reconhecida. Para quem vive do café, conquistar esse espaço é muito difícil, mas estamos no rumo certo".
O grupo atendido em Araponga é viabilizado por meio do Sindicato dos Produtores Rurais de Viçosa. O técnico de campo Gustavo Nogueira acompanha a evolução do casal e explica que o sucesso é resultado da soma entre as condições naturais da região e o aperfeiçoamento técnico.
"Araponga tem altitude e clima favoráveis, mas a topografia exige muito do produtor. Trabalhamos nutrição, análise de solo e folha, controle de doenças e, principalmente, o pós-colheita, que é determinante para a qualidade do café", explica. Segundo ele, o casal se destaca pelo cuidado em todas as etapas da produção, desde a colheita de frutos maduros até a secagem em terreiro suspenso. "A região ajuda, mas a dedicação do produtor é fundamental".
Matas de Minas colecionam talentos

Outro exemplo da força da região é o jovem produtor Fabiano Diniz, de Manhuaçu. Quarta geração da família na cafeicultura, foi ele quem decidiu investir em qualidade, em 2019, e hoje coleciona dezenas de prêmios regionais, nacionais e internacionais. Ele já figurou entre os melhores do Cupping ATeG por duas vezes. No ano passado, destacou-se em três categorias: 2º lugar geral, 1° na categoria Café Produzido por Jovens e 1° Cereja Descascado das Matas de Minas.
Além do ATeG, Fabiano faz os cursos da cadeia cafeeira oferecidos por meio Sindicato dos Produtores Rurais de Manhuaçu. Para o gerente do Sistema Faemg Senar em Viçosa, Marcos Reis, o trabalho contínuo de assistência técnica, capacitação e gestão das propriedades, promovido pelo Sistema, tem sido revolucionário para os produtores das Matas de Minas.
"A cada ano percebemos um salto na qualidade das amostras enviadas para concursos e na presença dos produtores no mercado. Isso é reflexo direto das ações de formação em áreas como classificação, degustação, torra, comercialização e produção de cafés especiais", concluiu.
