
Em mais um capítulo da série de encontros para aproximar as demandas do campo mineiro dos futuros governantes, o Sistema Faemg Senar recebeu, na manhã desta quarta-feira (2/9), o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante). Médico, escritor e produtor rural, Cury apresentou suas propostas e sua visão sobre os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento do setor agropecuário.
O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, ressaltou a importância de receber lideranças dispostas a ouvir as necessidades dos produtores rurais. “O campo tem feito o seu papel durante esses últimos anos, fazendo com que a economia mineira e brasileira continue crescendo. A gente vai continuar dialogando, explicando as nossas angústias e o que podemos fazer de positivo para melhorar a vida de todos”, afirmou.
Projeção global e imagem internacional
Augusto Cury iniciou sua fala alertando para os desafios relacionados ao crescimento da população mundial. Citando estimativas da FAO, afirmou que será necessário ampliar em cerca de 60% a 70% a produção de alimentos no mundo até 2050. Segundo ele, o Brasil tem protagonismo nesse cenário como fornecedor global de grãos, com destaque para soja e milho.
O candidato criticou a imagem desfavorável do agro brasileiro no exterior e destacou que o país possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta. Ele defendeu uma atuação mais firme da diplomacia e das embaixadas brasileiras para divulgar a produção agropecuária nacional e seus diferenciais, além de ações internacionais para posicionar o Brasil como um “supermercado do mundo”, com maior agregação de valor.

Inovação e tecnologia
Cury também destacou a importância dos investimentos em biotecnologia e agricultura 4.0. Para o candidato, é necessário ampliar o acesso dos produtores, especialmente os de pequenas propriedades, a tecnologias, máquinas e soluções que permitam produzir mais e com maior eficiência.
Outro ponto abordado foi o descompasso entre a rentabilidade da atividade agropecuária e os custos de produção. Segundo dados apresentados pelo candidato, a rentabilidade do agro varia entre 5% e 7%, enquanto os custos de custeio podem chegar a 20%. “Não fecha a conta”, afirmou.
Na avaliação de Cury, as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores também têm impactos sobre a saúde mental no campo. Ele citou dados segundo os quais a média de depressão entre pessoas ligadas ao agro seria o dobro da registrada na população em geral e defendeu maior atenção às condições econômicas e financeiras dos produtores rurais.
Durante a reunião, a diretoria apresentou ao candidato a estrutura de atuação do Sistema Faemg Senar e os diferenciais que posicionam o agronegócio mineiro na liderança nacional.