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Atendidos pelo ATeG vencem concurso de café em Jacuí

ATEG CAFÉ + FORTE
ESCRITO POR ALANA DE FREITAS, DE PASSOS
05/11/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR
Menos de um ponto separou os três primeiros colocados. Dois deles recebem assistência técnica e gerencial do Sistema Faemg Senar

O cafeicultor Helno José Ribeiro conquistou, pelo segundo ano seguido, o primeiro lugar no Concurso de Qualidade do Café de Jacuí, no Sul de Minas, com 86,89 pontos. Helno é atendido pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte, do Sistema Faemg Senar, em parceria com o Sindicato Rural de Jacuí, e levou o prêmio de R$3 mil. O segundo lugar ficou com Silvano Alípio da Silva, também assistido pelo ATeG, com 86,38 pontos e prêmio de R$2 mil. Guilherme de Almeida Biondi ficou em terceiro, com 86,13 pontos, e recebeu R$1 mil.

“Ser campeão já é bom demais. Dois anos seguidos, então, nem se fala. É muita emoção. Minhas filhas estavam lá, a família toda, e a alegria é contagiante”, comemora Helno.

Em sua terceira edição, o concurso é realizado pelo Sindicato Rural de Jacuí e pela Emater-MG, com patrocínio da Câmara Municipal e da Prefeitura de Jacuí. Este ano, 26 produtores inscreveram amostras. A premiação foi feita na quinta-feira (29), em um jantar com os participantes e autoridades do município.

Para o presidente do Sindicato Rural de Jacuí, Vilson José de Souza, o maior ganho vai além do pódio. “O concurso motiva os produtores a trabalhar com qualidade: colher no ponto certo, fazer uma secagem mais criteriosa, formar lotes mais homogêneos. Isso é dinheiro no bolso, ganhando o prêmio ou não. O produtor não consegue ditar o preço, mas, quando sabe o café que tem na mão, ganha poder de negociação e pode dizer: esse café eu não vendo por esse preço.”

A evolução aparece nas notas. Na primeira edição, muitas amostras não atingiram o padrão de qualidade, e algumas chegaram a apresentar bebida riada, uma classificação inferior. Este ano, praticamente todos os cafés passaram dos 80 pontos, a faixa que caracteriza café especial. As amostras foram avaliadas por dois Q-Graders, provadores com certificação internacional. “A prova foi muito bem feita e sigilosa. Eu mesmo só tive acesso às notas no final”, conta Vilson.

Do início da lavoura ao bicampeonato

O técnico de campo do ATeG Matheus Vieira Alves acompanha Helno desde o início da atividade. “Quando comecei o atendimento, era uma propriedade pequena, com as operações feitas de forma manual, e a lavoura estava indo para a primeira produção. Foi um trabalho de correção do manejo, desde o controle do mato até a nutrição do solo. Mas o Helno sempre foi muito empenhado e focado na qualidade do café”, conta.

O ATeG Café+Forte nasceu da união dos programas Café+Forte e ATeG Café, ambos do Sistema Faemg Senar. Em Jacuí, Matheus acompanha 28 produtores pelo programa. “O ATeG faz o acompanhamento desde a parte técnica até a gerencial. O produtor segue as práticas de acordo com a recomendação técnica, buscando sempre aumentar a produtividade, e também consegue fazer uma análise de custo da propriedade: quais são os gargalos, os pontos positivos e onde precisa melhorar”, explica. No caso do campeão, a gestão foi um dos principais ganhos. “O ATeG contribuiu muito na questão do custo de produção, que ele não tinha essa noção.”

Para Helno, o acompanhamento faz diferença no dia a dia. “O ATeG é essencial para o pequeno produtor. Toda hora que você precisa, manda uma mensagem para o técnico, e ele está pronto para responder e ajudar nas dúvidas. E a cada ano que passa, a gente vai melhorando mais.”

“Ver dois produtores do ATeG Café+Forte no pódio de Jacuí mostra que a assistência técnica e gerencial dá resultado. Quando o produtor passa a conhecer o custo da sua lavoura e tem acompanhamento técnico frequente, a qualidade aparece no café e no bolso”, avalia Rogger Miranda Coelho, gerente da Regional de Passos do Sistema Faemg Senar.

O básico bem feito

Silvano subiu uma posição em relação ao ano passado, quando ficou em terceiro. “Eu falei que ia trabalhar para ficar em segundo, e deu certo”, conta. Ele resume o resultado em uma palavra: orgulho. “Quando a gente trabalha confiante e faz o que gosta, vem o sucesso. Colher um café com qualidade é o sonho de todo produtor.”

Sem mecanização na propriedade, a receita é caprichar no básico. “A gente trabalha com o pé no chão, fazendo tudo o que a análise de solo e a análise de folha indicam. Lá é tudo manual, então é o básico muito bem feito, com amor e carinho. O ATeG ajuda muito, a gente aprende muito, porque é um trabalho em grupo. A gente faz a nossa parte, eles fazem a deles, e a natureza e Deus fazem o resto.”

Tradição no café

A premiação reforça a tradição de Jacuí em cafés de qualidade. Em 2008, o cafeicultor Francisco Luiz da Costa, do município, venceu na categoria Café Natural os concursos estadual e nacional da Abic.

O café de Helno também já foi reconhecido fora do município. Em 2025, ele esteve entre os finalistas do Cupping de Cafés Especiais do ATeG Café+Forte, e este ano a pontuação do lote abriu portas para o produtor em uma rodada de negócios. “Pena que não trouxe um prêmio para Jacuí, mas ainda tem tempo”, diz.