A história dos irmãos Leandro e José Ferreira dos Santos se confunde com a própria trajetória de muitos produtores rurais mineiros: trabalho duro, desafios diários e busca por oportunidades. Há mais de 25 anos na atividade leiteira, eles encontraram no queijo artesanal uma alternativa para agregar valor à produção e superar dificuldades na comercialização do leite. O que começou há cerca de uma década transformou-se em um negócio familiar que hoje colhe os frutos da dedicação e da busca por conhecimento.
Atendidos pelo Programa ATeG, os irmãos promoveram melhorias nas queijarias, adequaram os processos produtivos e conquistaram o registro sanitário, passo fundamental para ampliar mercados e valorizar o produto. Assim como as suas propriedades, que dividem a cerca, eles são unidos pelo trabalho e pelo apoio da família. É com gratidão que celebram cada conquista, sem esquecer das dificuldades enfrentadas ao longo do caminho.
Nesta entrevista, Leandro e José compartilham sua trajetória, falam sobre o impacto do ATeG e deixam uma mensagem de perseverança para quem sonha em crescer no meio rural.
Como começou a história de vocês com o queijo artesanal?
Leandro - Antes, a gente trabalhava para os outros. Depois que conseguimos a nossa terrinha, começamos a mexer com gado. Aos poucos, fomos investindo. A gente produzia leite, mas enfrentava dificuldades para entregar no tanque comunitário. A partir daí, passamos a produzir o Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí.
José - Produzimos leite há mais de 25 anos. O queijo veio depois, há 10 anos, como uma forma de agregar valor ao nosso trabalho e reduzir os prejuízos na comercialização.
Qual a importância da Assistência Técnica e Gerencial nessa trajetória?
Leandro - O ATeG começou no ano passado e agregou muito valor ao nosso negócio. Ampliamos a estrutura, melhoramos o processo de produção e a qualidade do produto, que precisa ter segurança. Foi um aprendizado muito importante. E o consórcio está nos amparando também.
Quais mudanças foram implementadas na propriedade?
José – A estrutura das nossas queijarias já existia, mas, com as orientações do Cézar, nosso técnico de campo, fizemos uma boa reforma.
Leandro - Fizemos várias adequações. Construímos barreiras sanitárias para um produto de qualidade e com muita higiene e, agora, conseguimos o registro sanitário.
O registro sanitário era um sonho antigo?
Leandro - Essa conquista veio para valorizar o nosso trabalho. Sem o registro, a gente fica limitado para vender a produção. Com a regularização, conseguimos chegar a novos mercados e buscar um preço mais justo para o nosso queijo.
José – É uma conquista muito grande que o apoio do Sistema Faemg Senar trouxe para a gente.
A família participa da produção?
Leandro - Todo mundo produz junto. Lá é um ajudando o outro o tempo todo. Trabalhar unidos também é mostrar aos filhos o valor do que temos. Não herdamos nada e vamos conseguir deixar algo para eles. E sempre posso contar com o meu irmão.
José – Sempre estamos trocando ideia. Cada um toca a sua propriedade com a ajuda das esposas e dos filhos. Estamos caminhando juntos.

Pensando no início e agora: o que representa participar de um evento como o FQAM?
Leandro - É um sentimento de muita gratidão. Olhamos para trás e vemos tudo o que passamos para chegar até aqui. Só temos a agradecer a Deus por nos permitir viver essas conquistas e ao Sistema Faemg Senar, que foi uma mão amiga, uma força a mais. Muitas vezes, quem está no campo se sente esquecido. O ATeG trouxe orientação, apoio e abriu caminhos para a gente evoluir.
Quais as expectativas para o futuro?
José - Agora é seguir em frente. Vamos continuar melhorando a propriedade, cumprindo as recomendações e buscando mais espaço no mercado.
Que conselho vocês dariam para quem está começando?
José - Sempre que alguém me procura pedindo orientação, eu indico a assistência técnica. Foi um caminho que ajudou muito a nossa propriedade e pode ajudar outras pessoas também.
Leandro - Eu digo para não desanimar. Toda atividade tem dificuldades, mas também tem conquistas. Não podemos olhar apenas para os obstáculos. É preciso persistir, continuar trabalhando e acreditar que os resultados vão chegar.