
Minas Gerais, essas minas que límpidas brotam nas terras que com suor e trabalho cultivo. Sou produtor de água, de alimentos e de fibras, para aplacar sua sede, sua fome e te vestir. Seu combustível, sua energia, sua saúde e higiene são apenas algumas utilidades desse líquido perene. Eu vivo e produzo pescado com essas águas, o gado bebe, o feijão cresce e o café floresce. As árvores aqui são de preservação e de produção – todas precisam de água. E o rio continua seguindo seu curso, com vida abundante e matas ciliares. Mais adiante tem um pivô de irrigação, outros produzem, energia é gerada, a indústria fabrica e a cidade cresce. Com manejo e boas práticas, nosso meio rural filtra e infiltra suas águas, abastece campo e cidade.
As minas de Minas, córregos, rios, lagos e águas subterrâneas, berço do São Francisco, do Grande e do Doce, do Jequitinhonha, Paranaíba e Verde Grande. Entre outros, são a vida, o sangue nas veias de Minas Gerais. Natureza, água, solo e produtor rural, essa combinação não tem igual. Ficou complicado produzir? Chamo logo meu Sindicato, junto com o Sistema FAEMG são traçados os passos. Faço cursos e conto com a assistência técnica e gerencial do SENAR, afinal, assim como o curso d’água, o produtor não pode parar. O INAES fez o Zoneamento Ambiental e Produtivo aqui na bacia, e conseguimos conciliar ações para melhorias. Agora é contar com a ajuda dos produtores e do órgão ambiental, senão não tem água para humano nem animal. A gerência de meio ambiente nos representa e costura ações relacionadas ao tema, por isso estão sempre em reuniões. Quando o assunto é água, não tem moleza, são muitos os stakeholders e não pode faltar para o produtor, nem para outro processo produtivo ou natureza. A GMAM me ajuda a entender as normas, que são tantas e tão complexas, que acho que estou diante de um ninho de guaxo.
Todos temos um objetivo comum, que é água em quantidade e qualidade necessária para a vida e as atividades humanas e da natureza. Ainda hoje há muitos sem acesso, e sem água não há vida nem progresso. Sem alimentos também há conflitos e tormento. Por isso eu sei da minha responsabilidade como produtor, da minha ligação com os objetivos de desenvolvimento sustentável, para contribuir com a sua vida saudável. É isso que o produtor rural faz, inclusive como protagonista da paz.
* Ana Paula Bicalho de Mello
Uma homenagem do Sistema FAEMG ao Dia Mundial da Água – 22 de março