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Monjas reconstroem apiário destruído pela chuva em Juiz de Fora

JORNAL EM CAMPO
ESCRITO POR CARLA ARANTES, DE JUIZ DE FORA
06/08/2026 . SISTEMA FAEMG, SENAR

Destaques no ATeG, religiosas retomam a atividade com a ajuda de outros produtores da região

A cada 15 dias, as monjas Raquel, Catarina e Tereza Paula trocam o hábito pelo macacão, e a clausura no Mosteiro da Santa Cruz pelo trabalho em uma propriedade rural a cerca de 20 km de Juiz de Fora. Elas verificam as colmeias, alimentam as abelhas, analisam cada detalhe dos enxames. A dedicação dá resultado. No ano passado, as monjas colheram quase 200 kg de mel de apenas dez colmeias e foram reconhecidas como destaque do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) da apicultura na regional de Juiz de Fora, que tem como técnico o zootecnista Arthur Sodré.

A criação de abelhas por monjas de Juiz de Fora começou na década de 60. Depois de algumas pausas, foi retomada em 2018 e profissionalizada com o auxílio ATeG, entre 2023 e 2025. O programa é oferecido gratuitamente pelo Sistema Faemg Senar, em parceria com o Sindicato Rural de Juiz de Fora. “Foi uma forma que encontramos de ter uma renda extra. Nosso mel é muito procurado”, destaca a irmã Raquel. O produto é comercializado em uma lojinha na sede do mosteiro, no Centro da cidade, e o dinheiro ajuda com as despesas da casa.

Mas o trabalho de anos desapareceu em horas. Com a chuva histórica que atingiu Juiz de Fora na noite de 23 de fevereiro deste ano, o rio à margem da propriedade transbordou e carregou as 18 colmeias às vésperas da colheita. “Foi muito triste, deu vontade de chorar”, lembra a irmã.

As monjas, no entanto, não desanimaram. Quatro meses depois, um novo apiário foi montado, agora, longe do rio. Produtores e membros da Associação de Apicultores de Juiz de Fora e Região (Apijur) doaram enxames e hoje elas somam nove colmeias. “O bom das abelhas é a abundância. Elas se multiplicam e agora as irmãs têm a chance de aumentar as colônias e, consequentemente, a produção”, afirma Arthur.

Prêmio Destaque ATeG

Em maio deste ano, as monjas Raquel, Catarina e Tereza Paula foram até Barbacena para receber das mãos do vice-presidente de Finanças do Sistema Faemg Senar, Renato Laguardia, e do gerente do Escritório Regional da Faemg Senar em Juiz de Fora, Emerson Simão, o prêmio de destaque do programa na cadeia de apicultura.

O técnico que acompanhou todo esse processo explica o que fez com que as religiosas tivessem resultados tão positivos: “O comprometimento com o trabalho. Desde o início elas levaram muito a sério, não só as recomendações técnicas de manejo das colmeias, mas a parte gerencial, de contabilidade, de formação de preço de venda”, completa.

Em dois anos de acompanhamento, as produtoras conseguiram dobrar o faturamento. A expectativa agora é que em alguns meses as novas colmeias já estejam produzindo e a casa de mel volte a funcionar a todo vapor.