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O agro é parte do futuro

AGROFUTURE SUMMIT
ESCRITO POR VINICIUS DEBIAN*
29/09/2021 . SISTEMA FAEMG, INAES

Foto de Quang Nguyen Vinh no Pexels

O agronegócio é um dos setores mais representativos da economia brasileira. Tanto que a expectativa para este ano é que a participação do setor no PIB nacional alcance os 30%.  No ano passado, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a participação foi de 26,6% – ou seja, o agro avançará quase 4 pontos percentuais. 

E, segundo o Boletim Safra de Grãos, da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, 2020 registrou uma produção recorde de 251 milhões de toneladas. Grande parte dela vem dos grandes produtores, mas com o avanço cada vez maior do uso de tecnologias no campo, a probabilidade é que, em um futuro próximo, mais pessoas abracem o agro.

Isso porque o uso cada vez mais intenso de tecnologias exponenciais fará com que pequenos produtores que atuam no campo ou mesmo em centros urbanos, tenham condições de participar do desenvolvimento do setor. Hoje, o agronegócio ainda está muito preso a grandes equipamentos. Isso acaba inviabilizando o pequeno agricultor. Mas a tecnologia virá para facilitar a inserção de qualquer um nesse contexto, até mesmo de pessoas que não se viam incluídas nesse ambiente.

Um exemplo interessante são as fazendas urbanas - que podem ser tão simples quanto as tradicionais pequenas hortas comunitárias ao ar livre - ou tão complexas quanto as fazendas verticais indoor, nas quais os agricultores pensam em aumentar o espaço em termos tridimensionais. Complexas e futurísticas, essas fazendas podem ser configuradas de várias maneiras, mas a maioria delas contém fileiras de prateleiras forradas com plantas enraizadas no solo, água enriquecida com nutrientes ou simplesmente ar. Cada camada é equipada com iluminação UV para imitar os efeitos do sol. E, ao contrário do clima imprevisível ao ar livre, o cultivo dentro de casa permite aos agricultores adaptar as condições para maximizar o crescimento.

Outra questão interessante: hoje, um dos grandes desafios para o produtor rural é o consumo de água. Com investimentos em tecnologia e engenharia, será usado o estritamente necessário. O próprio consumo de água será mais inteligente.  Parece um avanço pequeno, mas não é. 

Para que você entenda meu ponto de vista: são necessários até 34 galões de água para produzir uma cabeça de alface, mas uma empresa sueca, com forte atuação em tecnologia para agronomia, utiliza cerca de 0,25 litros para o peso equivalente nas culturas. Trata-se de um novo conceito de "produção agrícola", que combina agricultura, tecnologia e arquitetura para que o processo de cultivo de alimentos seja mais integrado à vida das pessoas nas cidades. 

E, é claro, isso fará com que a produção de alimentos tenha um salto exponencial. Só que, para surfar nessa onda será preciso enxergar e experimentar o mundo. Mudar o modelo mental e sua forma de pensar o agronegócio. O agricultor está acostumado com o plantio no campo. Será que está preparado e aberto a discutir parte de sua produção em um prédio, uma casa ou um centro urbano, por exemplo? Será que ele está preparado para discutir sobre isso? 

*Vinicius Debian é Digital Entrepreneur, Speaker, Content Producer, Podcaster and Singularity University Ambassador