O Sistema Faemg Senar acompanha com atenção e manifesta preocupação diante da proposta de redução da jornada de trabalho e do possível fim da escala 6x1. A entidade reconhece a importância do debate, mas defende que qualquer mudança na legislação trabalhista seja conduzida com responsabilidade, diálogo e avaliação técnica rigorosa dos impactos econômicos e sociais, especialmente para a agropecuária, setor essencial ao abastecimento e à economia do país.
Segundo a Nota Técnica nº 123 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (10/02/2026), a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode elevar significativamente o custo do trabalho. Na agricultura, pecuária e serviços relacionados, 96,57% dos vínculos formais seriam afetados, ou seja, mais de 1,5 milhão de trabalhadores, com aumento estimado de 9,62% no custo da hora trabalhada.
No campo, onde a mão de obra tem peso relevante nos custos de produção, especialmente em atividades como leite, café e hortifrúti, a medida pode comprometer a viabilidade econômica, pressionar preços, reduzir margens e impactar o emprego. Estima-se, inclusive, o possível fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecuária.
O setor defende condições dignas de trabalho, mas ressalta que dignidade também exige geração de renda, manutenção de empregos, sustentabilidade das propriedades e preservação da segurança alimentar. O Sistema Faemg Senar reafirma sua disposição para o diálogo, a fim de que eventuais mudanças considerem as especificidades da produção rural e seus efeitos sobre a economia e a sociedade.
Sistema Faemg Senar
23.2.2026