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Associação capacitada pelo SENAR recebe prêmio internacional

RECONHECIMENTO
ESCRITO POR RICARDO GUIMARÃES, DE MONTES CLAROS
09/05/2022 . SISTEMA FAEMG, SENAR

O prêmio Mulheres Rurais - Espanha Reconhece, uma iniciativa do Escritório de Agricultura da Embaixada da Espanha, premiou o trabalho desenvolvido pela Associação Comunitária dos Produtores Panelinhenses (Ascoppa), de Miravânia, no Norte de Minas. O projeto em destaque da associação é a produção de polpas de frutas, que recebeu nos últimos anos a capacitação do Sistema FAEMG.

“Não tínhamos formação, fazíamos de qualquer jeito. Foi quando o SENAR chegou e nos qualificou, e fomos amadurecendo o projeto, trazendo mais gente. Hoje, além das polpas, que já estão chegando aos projetos de merenda escolar, temos uma parceria na produção de sorvetes e picolés com frutas do cerrado, e também doces, geleias e bombons artesanais”, explicou Marineide Alves Santos, uma das extrativistas responsáveis pela Ascoppa.

A associação ficou em segundo lugar na premiação, que teve 482 inscrições de todo o país e visa dar visibilidade a experiências coletivas desenvolvidas por mulheres rurais em suas comunidades. No caso da Ascoppa, as ações acontecem nas comunidades de Panelinha e Panelinha 2, envolvendo diretamente cinco mulheres, que atuam na produção de polpas, e outros 15 participantes, que colhem nos seus quintais os frutos usados pela associação e atuam na produção dos doces e sorvetes.

Retomada

Criada em 2004, a associação passou por uma verdadeira transformação nos últimos anos, incluindo a capacitação em produção de polpas, que foi ofertada através do Sindicato dos Produtores Rurais de Januária. A reativação do projeto aconteceu após Marineide, que trabalhava em uma associação de catadores de materiais recicláveis em São Paulo, optar por voltar à terra natal.

“Eu vinha de uma experiência com cooperativa e associações. Como sempre fui ligada a atividades sociais, busquei participar da Ascoppa. Desde sua criação, a associação atua auxiliando os produtores rurais em programas sociais. Em 2010 foi criado um projeto para conservação do cerrado, quando foram adquiridos os equipamentos para a produção de polpas, mas que ficou parado, sendo retomado em 2018/2019. Como existiam muitas dívidas da associação e o maquinário estava parado, desenvolvemos a iniciativa Sabores do Cerrado, para quitar pendências dos associados com a venda de polpas, em que o produtor traz as frutas nativas e nós transformamos em produto”, explicou Marineide.

Por safra, a produção gira em torno de 100 polpas/dia, com destaque para umbu e acerola, além de outros frutos típicos, como buriti, coquinho, maracujá do mato e tamarindo. Raimunda Ferreira Nascimento, moradora da comunidade há 30 anos, também atua no projeto e tem na produção de polpas uma nova alternativa de geração de renda. Sempre participativa nas ações, ela foi escolhida para viajar junto com Marineide Alves para receber a premiação do Mulheres Rurais, em Brasília-DF, e não escondeu a alegria de ver a ação em crescimento.

“A primeira iniciativa foi resolver as dívidas da associação. Depois disso passamos a produzir e criar mais projetos. Aqui temos grande dificuldade de acesso à água, então a produção rural sofre. O plantio das frutas que levo para a produção de polpas tem contribuído muito na renda. Eu fico muito satisfeita pelo projeto ter crescido; sou muito feliz. E a premiação só somou a tudo isso, pois mais pessoas querem conhecer a associação, quererem participar. Estou me sentindo uma celebridade com o prêmio. A minha expectativa é de me manter no projeto e ser a atividade principal de dedicação”, destacou Raimunda.

Veja o vídeo exibido na premiação:

Planos

Hoje a estrutura utilizada pelas mulheres na produção de polpas usa a cozinha da casa de Marineide Alves, que precisou fazer adaptações obrigatórias, exigidas pela Vigilância Sanitária. A extrativista afirma que os próximos passos serão para estruturação de um local próprio, que possa expandir a produção atual abrangendo mais mulheres. O valor recebido na premiação será destinado para este fim.

“Temos condições de produzir mais, inclusive de manter uma oferta de produtos ao longo do ano, mesmo nas épocas fora de safra. Mas precisamos ter capital de giro, ajustar o espaço e local de armazenamento, com a aquisição de mais freezers e maquinário, o que vai nos ajudar a atuar junto aos programas PA e PNAE. Estamos também buscando selos e certificações para venda das polpas para outros estados. Hoje tiramos em torno de R$ 250 cada. A expectativa é de chegar a um salário só com a produção de polpas”, concluiu.

Além das novas aquisições em planejamento, a Ascoppa visa aumentar o número de beneficiados. Para isso, já iniciou um processo de reaproveitamento das sementes das frutas que são processadas nas polpas. O Viveiro Vivo utiliza essas sementes para produção de mudas frutíferas, que são doadas aos moradores da região que querem plantar.