Em Caeté, o produtor Delmar Nunes de Macedo está satisfeito com a decisão que tomou há pouco menos de cinco anos. Com a infância ligada ao meio rural, ele percebeu que a empresa de aluguel de carros blindados, vans e outros automóveis já não fazia mais sentido. Ele deixou as raízes falarem mais alto e voltou para o campo para produzir junto dos pais. “Percebo que este é um movimento que já vem acontecendo e do qual eu me orgulho muito”, comentou o produtor do queijo Emboabas.
E tudo vem conspirando a favor. Recentemente, o governo de Minas anunciou o reconhecimento da região “Entre Serras da Piedade ao Caraça” como produtora de Queijo Minas Artesanal, o que abre espaço para novos mercados para os produtores rurais da região. Além disso, para que o sonho de viver do campo se tornasse possível, e o negócio rural, rentável, Delmar conquistou uma vaga no Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Balde Cheio do Sistema FAEMG. De lá para cá, a propriedade vem somando bons resultados.

Mudança de pensamento
Ele entendeu que, antes mesmo de pensar em derivados, qualquer detalhe faz a diferença na cadeia do leite. A qualidade começa pelo controle sanitário, manejo bem planejado e consciente.
“Fui criado em um sistema antigo, com grande dificuldade para dar ouvidos a terceiros, inclusive técnico de campo, que apresenta muita novidade. Hoje, meu conselho é que os produtores vivam essa experiência porque a ATeG é um divisor de águas. Tive muitas perdas antes do programa, mas hoje estou crescendo e com reconhecimento”, comentou o produtor, lembrando de premiações em festivais gastronômicos e concursos de queijo.

Transformação
O técnico de campo Higor Augusto Pereira acompanha o produtor há cerca de um ano. Quando ele chegou à propriedade, encontrou muitos animais improdutivos. A produção não era capaz de suportar os gastos, principalmente com alimentação, e a taxa de mortalidade das bezerras, de 30 a 40%, também era um desafio.
Antes da assistência, a propriedade mantinha a média de oito litros de leite por vaca. Hoje, esse número saltou para 11, em um total de 114 litros/dia, o que trouxe uma evolução de 15 para 20 queijos na produção diária. O trabalho conjunto de técnico e produtor proporcionou a reestruturação do rebanho, ajustes no manejo de ordenha e no controle sanitário, eficiência produtiva e, ainda, zerar a taxa de mortalidade.

“Outro dado importante é que, em maio de 2021, a taxa de vacas (secas e em lactação) sobre o rebanho total era 23%. Neste ano, esse índice aumentou para 40%. O objetivo é chegar a 60% até 2023”. O curso de Cria e Recria também tem ajudado nesse processo de crescimento e mudança.
Os próximos passos para agregar ainda mais valor são aumentar a produtividade, entre outros indicadores, e diminuir os gastos com concentrado. “Focamos bastante na qualidade do leite para manter um padrão dos queijos, já que a queijaria é o principal objetivo e atividade do produtor”, concluiu Higor.